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Além do Oeste: 5 Castelos Subestimados da Europa Oriental

10/06/2024Por Editor da RoyalLegacy
Além do Oeste: 5 Castelos Subestimados da Europa Oriental

Quando a maioria das pessoas planeja um passeio por castelos europeus, elas olham para o oeste. Elas pensam nos châteaux da França, nas fortalezas do País de Gales ou nas ruinas românticas do Reno alemão. E isso é um erro.

A Europa Oriental é o lar de alguns dos castelos maiores, mais dramáticos e historicamente complexos do continente. Aqui, a arquitetura muda. Você troca a pedra cinza dos normandos pelo tijolo vermelho ardente dos Cavaleiros Teutônicos. Você troca a guerra feudal pela fronteira entre a Cristandade e o Islã. Você troca multidões de turistas pela solidão de uma cidadela na colina com vista para um rio de nome que mal consegue pronunciar.

E as histórias? As histórias da Europa Oriental fazem os castelos ocidentais parecerem domesticados por comparação.

Por Que a Europa Oriental?

Antes de entrar nos cinco castelos, vale a pena explicar o que torna esta região tão diferente.

A Europa Oriental foi, durante séculos, uma fronteira — não uma fronteira entre países mas uma fronteira entre mundos. Entre a cristandade latina e a ortodoxa. Entre o feudalismo ocidental e as estepes orientais. Entre os reinos eslavos, os Cavaleiros Teutônicos, os mongóis, os otomanos e os Habsburgos. Cada invasão deixou marcas na arquitectura: castelos construídos, reconquistados, adaptados, destruídos, reconstruídos.

Os castelos da Europa Oriental não são museus de um único período histórico. São palimpsestos — textos sobre os quais outros textos foram escritos, camadas de história sobrepostas de formas que os castelos ocidentais raramente apresentam.

E as paisagens. As montanhas dos Cárpatos, as planícies do Báltico, os vales fluviais da Eslováquia — são ambientes que o turismo de massas ainda não domesticou completamente. Chegar a Orava ou a Corvin ainda parece uma aventura.

1. Castelo de Malbork, Polônia (O Gigante de Tijolo)

Vamos começar grande. Muito grande. O Castelo de Malbork é o maior castelo do mundo em área terrestre.

A História: Construído no século XIII pelos Cavaleiros Teutônicos, foi originalmente chamado de Marienburg. Os Cavaleiros precisavam de uma fortaleza para garantir sua conquista da Antiga Prússia.

Os Cavaleiros Teutônicos eram uma ordem militar religiosa — metade monges, metade guerreiros — fundada durante as Cruzadas para proteger os peregrinos na Terra Santa. Depois da perda de Acre em 1291, reorirentaram as suas actividades para a Europa do Norte, conquistando e convertendo as tribos pagãs prussianas e bálticas. Marienburg tornou-se a capital do seu Estado independente: uma entidade política única na história medieval, governada por uma ordem religiosa com o seu próprio exército, a sua própria diplomacia e a sua própria economia.

Por Que é Único: É uma obra-prima da arquitetura Gótica de Tijolos. O resultado é um complexo extenso e brilhante de vermelho que parece estar pegando fogo ao pôr do sol.

O complexo é dividido em três secções: o Alto Castelo (religioso), o Médio Castelo (administrativo e residencial) e o Baixo Castelo (económico). Juntos, cobrem uma área de quase 21 hectares. O refectório de Inverno do Médio Castelo tem abóbadas de palma — nervuras de pedra que se alargam a partir de colunas centrais como palmeiras — que estão entre as obras mais belas de toda a arquitectura gótica europeia.

Malbork foi destruído quase completamente na Segunda Guerra Mundial — 50-60% do complexo ficou em ruínas — e reconstruído tijolo por tijolo nas décadas seguintes, num dos maiores projetos de restauração do século XX. A dedicação polaca a esta reconstrução, no contexto de um país devastado pela guerra, é ela própria uma história extraordinária.

Dica de visita: O castelo fica em Malbork, a cerca de 60 km a sul de Gdansk. Trains frequentes desde Gdansk. Reserve pelo menos um dia completo; um dia e meio é melhor.

2. Castelo de Bran, Romênia (A Lenda)

Você conhece este, mesmo que ache que não. Empoleirado em uma rocha dramática na fronteira entre a Transilvânia e a Valáquia, o Castelo de Bran é comercializado para o mundo como o “Castelo do Drácula”.

A Verificação da Realidade: Bram Stoker nunca visitou a Romênia, e Vlad, o Empalador, provavelmente ficou aqui apenas brevemente. Mas não deixe isso estragar a diversão. O castelo em si é uma bela fortaleza medieval.

A verdade histórica é mais interessante do que o marketing vampírico sugere. Bran foi construído pelos Cavaleiros Teutônicos em 1212 e reconstruído pelos mercadores de Brașov no século XIV como ponto de controlo comercial — qualquer mercadoria que passasse entre a Transilvânia e a Valáquia passava por aqui, pagando portagem. A sua posição numa rocha íngreme sobre um estreito vale montanhoso tornava-o um ponto de controlo ideal.

Vlad III de Valáquia — o histórico Vlad Tepes, o Empalador — pode ter ficado em Bran como prisioneiro depois de uma derrota militar em 1462. Não há registos definitivos. A ligação ao Drácula de Bram Stoker é ainda mais tênue: Stoker usou o nome “Drácula” como título nobiliário transilvânico genérico, nunca especificou Bran, e o seu Conde Drácula ficou no Castelo de Drácula — um lugar inteiramente imaginário.

O que realmente ver: O interior do castelo foi restaurado como residência real da Rainha Maria da Romênia, que o adorava e viveu aqui nos anos 1920 e 30. É um espaço surpreendentemente elegante, com mobiliário de época e colecções de arte — não o interior gótico de vampiro que a publicidade sugere.

3. Castelo de Orava, Eslováquia (O Lar Real do Vampiro)

Se você quer um castelo de vampiro real, vá para Orava. É aqui que o clássico filme de terror mudo de 1922 Nosferatu foi filmado.

A Arquitetura: Orava é um castelo “ninho de águia”, construído em uma rocha alta com vista para o rio Orava. Parece impossível: uma pilha vertical de fortificações agarradas a um penhasco de calcário.

A construção de Orava em três séculos diferentes criou um conjunto que parece desafiar a gravidade. O Lower Castle (século XIII) ocupa a base do penhasco. O Middle Castle (séculos XIV-XV) escala a rocha. O Upper Castle (século XV-XVI) remata o topo do penhasco a 112 metros acima do rio. É literalmente um castelo em três dimensões verticais.

Por que Nosferatu foi filmado aqui:

F.W. Murnau precisava de um castelo que parecesse impossível, ameaçador e radicalmente não-humano para servir de lar ao Conde Orlok. Quando a sua equipa de produção chegou à Eslováquia em 1921, Orava era a única escolha possível. As cenas do castelo em Nosferatu — com a silhueta negra da fortaleza recortada contra um céu pálido, parecendo crescer do próprio penhasco como um tumor de pedra — são umas das imagens mais iconicas da história do cinema.

O filme foi rodado em Agosto-Setembro de 1921, com temperaturas extremas e condições de filmagem primitivas. Os membros da equipe local contratados como extras recusavam-se a trabalhar depois do anoitecer, por razões que, num castelo como Orava, compreende-se intuitivamente.

Dica prática: Orava fica em Oravský Podzámok, um pequeno pueblito que existe essencialmente em função do castelo. A estrada de acesso sobe steeply a partir do rio — não adequada a veículos grandes. Rota recomendada desde Bratislava (230 km, cerca de 3 horas) ou desde Cracóvia (100 km, 2 horas).

4. Castelo de Corvin (Castelo de Hunyadi), Romênia

Enquanto Bran leva a fama, o Castelo de Corvin leva o respeito dos historiadores. Localizado em Hunedoara, é um dos maiores castelos da Europa.

A Vibe: Esta é a fantasia do Alto Gótico. Pense em torres altas e pontiagudas, uma ponte levadiça maciça sobre um rio caudaloso e um “Salão dos Cavaleiros”.

O Castelo de Corvin — também conhecido como Castelul Hunedoara, ou Vajdahunyad vár em húngaro — foi construído por János Hunyadi (João Corvino) na primeira metade do século XV. Hunyadi é um dos grandes heróis da história húngara e romena: o general que parou o avanço otomano no Leste da Europa numa série de campanhas brilhantes, incluindo a Batalha de Belgrado em 1456, onde derrotou o próprio Sultão Mehmed II — o mesmo que conquistara Constantinopla três anos antes.

A Ligação a Drácula:

Aqui está um twist surpreendente: Vlad Tepes, o Empalador (o histórico “Drácula”), foi prisioneiro de Hunyadi em Corvin durante cerca de seis anos (1452-1456). A torre onde esteve detido ainda existe. O Vlad histórico e o castelo que se tornou o mais famoso castelo de vampiros do mundo (Bran) estão de facto ligados — só que ligados a este castelo, não aquele.

A torre de menagem de Corvin é uma das mais impressionantes do leste europeu: 8 andares de altura, paredes de 2 metros de espessura, com uma rampa de acesso defensiva que obriga qualquer pessoa a subir em espiral sob fogo constante de cima. O Salão dos Cavaleiros no topo — uma sala abobadada de proporções impressionantes — foi restaurado e é visitável.

A lenda do poço: O poço de 30 metros no pátio do castelo foi supostamente escavado por prisioneiros turcos, com a promessa de liberdade se chegassem à água. Depois de 15 anos de trabalho, chegaram. E a promessa não foi cumprida. A inscrição na pedra que cobre o poço, em árabe, diz supostamente: Eles têm água mas não têm coração.

5. Castelo de Bojnice, Eslováquia (O Sonho Romântico)

Se Malbork é para guerreiros e Bran é para fãs de terror, Bojnice é para sonhadores.

O Estilo: Originalmente um forte de madeira, foi completamente reconstruído no final do século XIX pelo Conde János Ferenc Pálffy. Ele era apaixonado pelos castelos românticos do Vale do Loire na França e remodelou Bojnice para combinar.

A história do Conde Pálffy é fascinante. Homem culto, viajado e de gostos refinados, era um dos aristocratas mais ricos do Império Austro-Húngaro — e escolheu dedicar uma fortuna à transformação de Bojnice numa fantasia neogótica. Passou 25 anos e uma soma astronómica a reconstruir o castelo, decorando-o com mobiliário e arte que trazia de toda a Europa, criando um interior que é parte museu de arte, parte palácio renascentista e parte sonho de conto de fadas.

Morreu em 1908, um ano antes de a obra estar concluída. A última noite que passou no castelo inacabado, na véspera da sua morte, é o tema de várias lendas locais.

O Festival Internacional de Fantasmas:

Bojnice realiza todos os anos, em Abril e Maio, um Festival Internacional de Fantasmas — um dos eventos de turismo mais populares da Eslováquia, com visitas noturnas, representações teatrais de histórias de fantasmas medievais e tours especializados dos aposentos “assombrados”. O Conde Pálffy é supostamente o fantasma mais frequentemente “avistado”, vagando pelos corredores do castelo que consagrou a sua vida.

O que ver: O interior tem 42 salas, cada uma decorada num estilo diferente. O térreo inclui o Palácio Romano (com artefactos romanos autênticos escavados no local), a Sala de Caça, a Sala dos Cavaleiros e uma sala de jantar com mobiliário original do século XV. A Sala de Armas tem uma das maiores colecções privadas de armaduras medievais da Europa Central.

Por Que Ir para o Leste?

Os castelos da Europa Oriental oferecem algo que o Ocidente muitas vezes carece: selvageria. As paisagens são mais acidentadas, a história é mais volátil e as multidões são mais raras.

Mas há algo mais do que isso. Os castelos da Europa Oriental contam histórias que raramente aparecem nos manuais de história ocidentais: a história dos Cavaleiros Teutônicos e a conversão forçada da Europa pagã do Norte; a história das fronteiras do Islão e da Cristandade na transilvânia e nos Bálcãs; a história das grandes famílias aristocráticas que governaram impérios multiétnicos até 1918.

São histórias de uma Europa diferente — mais turbulenta, mais multilíngue, mais religiosa e mais violenta do que os narrativas nacionais costumam reconhecer. Visitar estes castelos é, literalmente, visitar uma outra Europa. E essa outra Europa é fascinante.