O Protetor de Oslo
Na ponta de um promontório, com o Fjordo de Oslo a brilhar à sua frente, a Fortaleza de Akershus (Akershus Festning) é o coração histórico da capital norueguesa. Há mais de sete séculos, este complexo de muralhas de pedra, baluartes e torres tem sido o palco dos momentos mais dramáticos da história da Noruega. Resistiu a cercos de reis suecos, serviu de residência luxuosa para monarcas dinamarqueses-noruegueses, albergou criminosos notórios nas suas masmorras e testemunhou os anos sombrios da ocupação nazi durante a Segunda Guerra Mundial.
Hoje é um símbolo poderoso da soberania norueguesa. É um dos poucos lugares na Noruega onde se pode percorrer salões medievais, prestar homenagem no Mausoléu Real e ver guardas militares ativos a patrulhar as ameias — tudo a dez minutos a pé do moderno bairro de Aker Brygge.
Uma Fortaleza Nunca Conquistada
A construção de Akershus começou por volta de 1299, sob o Rei Haakon V. Na época, Oslo era uma pequena cidade vulnerável. O Rei reconheceu a necessidade estratégica de uma fortaleza para proteger a capital. A sua visão provou estar correta: em 1308, a fortaleza resistiu com sucesso a um cerco do Duque Sueco Érico de Södermanland.
Este acontecimento estabeleceu um precedente que duraria séculos. Apesar de numerosos cercos — mais famosamente pelo rei guerreiro sueco Carlos XII em 1716 — a Fortaleza de Akershus nunca foi conquistada por um inimigo estrangeiro em combate. (Foi entregue sem luta aos alemães em 1940, após a evacuação do governo — uma exceção trágica ditada pela necessidade, não pela derrota militar.)
O Construtor da Cidade: Cristiano IV
A fortaleza está indissociavelmente ligada à própria cidade de Oslo, em grande parte graças a um homem: o Rei Cristiano IV. Em 1624, um incêndio devastador reduziu a velha cidade medieval de Oslo a cinzas. Em vez de a reconstruir no mesmo local, o Rei ordenou que toda a população se mudasse. Apontou para a área por detrás das muralhas protetoras da Fortaleza de Akershus e declarou: «É aqui que a cidade ficará!»
Rebatizou a nova cidade de Christiania (nome que manteve até 1925) e projetou-a com ruas largas e retas para prevenir futuros incêndios. Assim, a Fortaleza de Akershus não é apenas um edifício em Oslo — é a razão pela qual o Oslo moderno existe onde existe.
A Transformação Renascentista
Cristiano IV não se limitou a construir uma cidade — também transformou a fortaleza. Apaixonou-se pelo sítio e decidiu converter o sombrio castelo medieval num palácio renascentista moderno digno de um rei. Acrescentou a «Torre Azul» e a «Torre de Romerike», e decorou os salões com tapeçarias e couro dourado.
Percorrendo o castelo hoje, vê-se esta dualidade em permanência. As passagens escuras e húmidas da «Torre do Temerário» (Våghalsen) falam da Idade Média, enquanto os salões de banquetes acima, com os seus tetos altos e janelas largas, falam do luxo renascentista. A Igreja do Castelo, ainda em uso hoje, data deste período e é a Igreja Principal das Forças Armadas Norueguesas.
Os Salões de Banquetes Reais
O interior do castelo é uma viagem pela história real. O Salão de Cristiano IV, com as suas magníficas tapeçarias e longas mesas de madeira, ainda é usado pelo Governo Norueguês para jantares de Estado e representações oficiais. O Salão de Romerike, na ala norte, é igualmente impressionante, frequentemente usado para concertos e receções. Estas salas não são museus inanimados — são espaços vivos onde a história da Noruega continua a ser escrita.
A Prisão e o Ladrão Mestre
Durante grande parte dos séculos XVIII e XIX, a fortaleza serviu como prisão temida, conhecida como «A Escravatura» (Slaveriet). Os prisioneiros eram sentenciados a trabalhos forçados, muitas vezes acorrentados a expandir as fortif icações ou a limpar as ruas da cidade.
O preso mais famoso foi Ole Høiland, um ladrão mestre e herói popular comparável a Robin Hood, com uma capacidade fora do comum para escapar. Em 1839, após anos de planeamento, conseguiu fugir da sua cela na Torre do Príncipe Herdeiro, escavar as paredes de pedra e descer as ameias usando uma corda feita de lençóis. A sua fuga permanece uma lenda da história norueguesa, embora o seu destino final tenha sido trágico.
A Sombra da Segunda Guerra Mundial
O capítulo mais sombrio da fortaleza ocorreu entre 1940 e 1945. Durante a ocupação nazi da Noruega, a fortaleza foi usada pela Wehrmacht e pelo governo colaboracionista de Vidkun Quisling. Tornou-se local de execução de membros da Resistência Norueguesa.
Após a libertação em 1945, os papéis inverteram-se. O próprio Quisling foi julgado por traição e executado por um pelotão de fuzilamento na Fortaleza de Akershus. Hoje, o Museu da Resistência da Noruega (Norges Hjemmefrontmuseum) está instalado num dos antigos armazéns do recinto. Oferece um relato poderoso da ocupação, do movimento de resistência e da luta quotidiana dos noruegueses durante a guerra.
O Mausoléu Real
Akershus é o local de descanso final da realeza norueguesa moderna. No Mausoléu Real, sob a Igreja do Castelo, repousam os sarcófagos do Rei Haakon VII (o primeiro rei da Noruega independente moderna) e da Rainha Maud, bem como do Rei Olav V e da Princesa Herdeira Märtha.
Os Fantasmas da Fortaleza
Com uma história tão longa e sangrenta, não surpreende que Akershus seja considerado o lugar mais assombrado da Noruega. O espírito mais famoso é o Malcanisen, o «Cão Feroz». A lenda diz que um cão foi enterrado vivo nos portões da fortaleza para servir de guarda espetral. Diz-se que quem vir o fantasma de Malcanisen morrerá dentro de três meses.
Outro aparecimento frequentemente relatado é o Mantelgeisten (O Fantasma do Manto) — uma figura sem rosto com um casaco comprido que emerge da escuridão do Salão de Margarida. Guardas em patrulha noturna têm relatado ruídos estranhos, sussurros e a sensação de serem observados há gerações.
Informações Práticas
- Acesso: Os jardins da fortaleza (as muralhas exteriores e o parque) estão abertos ao público diariamente das 6h00 às 21h00, com entrada gratuita. O Centro de Visitantes fica junto à porta principal.
- O Castelo: Para visitar os interiores (os salões, o mausoléu, a igreja), é necessário comprar bilhete para o Castelo de Akershus. As visitas guiadas são altamente recomendadas.
- A Guarda de Honra: A Guarda Real norueguesa (Hans Majestet Kongens Garde) patrulha a fortaleza. A cerimónia da mudança da guarda é um ponto alto da visita.
- Os Museus: Para além do Museu da Resistência, a fortaleza alberga também o Museu das Forças Armadas (Forsvarsmuseet), que cobre a história militar norueguesa desde os Vikings até ao presente.