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Castello Sforzesco

Castello Sforzesco

📍 Milão, Itália 📅 Construído em Século XV

A Fortaleza Vermelha de Milão

Dominado pelas suas muralhas icónicas de tijolo vermelho e pela Torre del Filarete, o Castello Sforzesco é um marco incontornável no coração de Milão. Representa claramente a história turbulenta da cidade, transformando-se ao longo dos séculos de um símbolo de tirania num amado centro de cultura e arte. Ligando o movimentado centro da cidade à vasta extensão do Parco Sempione, o castelo é uma das maiores cidadelas da Europa e um tesouro de obras-primas renascentistas.

Uma História de Destruição e Renascimento

As origens do castelo remontam a cerca de 1360, quando Galeazzo II Visconti construiu uma fortaleza defensiva conhecida como Castello di Porta Giovia perto das muralhas medievais da cidade. No entanto, a verdadeira história do castelo começa com a dinastia Sforza. Após a morte do último duque Visconti em 1447, o povo de Milão estabeleceu a República Áurea Ambrosiana e, num ato de rejeição da tirania, destruiu a fortaleza dos Visconti.

A república durou pouco. Em 1450, o condottiero Francesco Sforza conquistou Milão e tornou-se Duque. Ordenou imediatamente a reconstrução do castelo — não apenas como estrutura defensiva, mas como residência grandiosa que legitimaria o seu domínio. Sob os seus sucessores, em particular Ludovico il Moro, o castelo entrou na sua idade de ouro. Tornou-se uma das cortes mais magníf icas da Itália renascentista, acolhendo luminares como o arquiteto Donato Bramante e o polímata Leonardo da Vinci.

Os dias de glória terminaram com a invasão francesa em 1499. Durante os quatro séculos seguintes, Milão caiu sob domínio estrangeiro — francês, espanhol e austríaco. O castelo foi despojado do seu esplendor renascentista e convertido em quartel militar. Após a unificação de Itália, houve um debate sério sobre a demolição da fortaleza em decadência para dar lugar a um bairro residencial. Felizmente, o arquiteto Luca Beltrami conseguiu defender a sua preservação e empreendeu uma vasta restauração que lhe devolveu a aparência da época dos Sforza.

Arquitetura e os Pátios

O castelo está organizado em torno de três pátios principais. A imensa Piazza d'Armi era o principal campo de parada para as tropas. Separando-a da residência ducal está o Fosso Morto. Além dele fica o Cortile Ducale, onde os duques Sforza viviam, e a Rocchetta, a parte mais fortif icada do castelo, concebida como último bastião em caso de rebelião ou cerco.

A característica mais reconhecível é a Torre del Filarete, a torre da entrada central. A torre original foi destruída por uma explosão em 1521 (quando um relâmpago atingiu um depósito de pólvora) e só foi reconstruída na restauração de Beltrami em 1905, com base em esboços da época de Francesco Sforza. Hoje serve de portal majestoso entre a cidade e o parque.

Leonardo da Vinci e a Sala delle Asse

Um dos maiores tesouros do castelo é a Sala delle Asse (Sala das Placas de Madeira), situada na torre norte. Encomendada por Ludovico il Moro, Leonardo da Vinci pintou esta sala em 1498. É um exemplo deslumbrante de trompe-l'œil: o teto parece ser uma pérgola de amoreiras entrelaçadas (um trocadilho visual com o apelido do Duque, «il Moro», que soa como o latim para amoreira). Restaurações recentes descobriram ainda mais dos desenhos monocromáticos originais de Leonardo nas paredes inferiores, revelando as raízes das árvores a brotar das rochas — um símbolo poderoso da força da dinastia Sforza. É um contacto direto com o génio de Leonardo que poucos locais no mundo podem proporcionar.

Museus e Obras-Primas

Hoje, o Castello Sforzesco alberga os Musei del Castello Sforzesco, um complexo de museus com algumas das coleções de arte mais importantes de Milão:

  • A Pietà Rondanini: O ponto alto emocional para muitos visitantes é o museu dedicado à última escultura de Miguel Ângelo. A Pietà Rondanini é uma obra-prima inacabada que o artista estava a trabalhar nos dias antes da sua morte, aos 88 anos. As suas formas brutas e alongadas transmitem uma profunda sensação de dor e transcendência espiritual. É uma das esculturas mais comoventes da história da arte.
  • Museu de Arte Antiga: Uma coleção de escultura magnf ica da Antiguidade Tardia ao Renascimento, incluindo o monumento funerário de Gastão de Foix.
  • Pinacoteca: Obras de mestres como Mantegna, Ticiano e Canaletto, mostrando a riqueza da arte lombarda.
  • Museu de Instrumentos Musicais: Um dos maiores da Europa, com instrumentos raros e curiosos de séculos passados — alaúdes, cravos e violinos pelos mestres de Cremona.
  • O Museu Egípcio: Nos níveis subterrâneos da Rocchetta, alberga uma coleção significativa de múmias, sarcófagos e papiros.

O Pulmão Verde de Milão: O Parco Sempione

Diretamente atrás do castelo estende-se o Parco Sempione, o maior parque urbano de Milão. Originalmente o parque de caça privado dos duques Sforza, foi redesenhado no estilo inglês romântico no final do século XIX. O parque funciona como uma extensão verde do castelo, oferecendo um local perfeito para um piquenique ou um passeio depois de visitar os museus. No extremo oposto do parque ergue-se o Arco da Paz (Arco della Pace), criando um eixo visual que atravessa o castelo até ao Duomo de Milão.

Bramante e o Renascimento Milanês

A par de Leonardo, Donato Bramante foi a outra grande figura artística ligada ao Castello Sforzesco. O arquiteto que mais tarde projetaria a nova Basílica de São Pedro em Roma trabalhou aqui para Ludovico il Moro, desenhando elementos do Cortile Ducale e deixando a sua marca na abordagem espacial dos interiores. A presença simultânea de Leonardo e Bramante no mesmo complexo — dois dos maiores génios do Renascimento italiano — é algo que praticamente nenhum outro edifício do mundo pode reivindicar. O Castello Sforzesco nesta época não era apenas um castelo: era o epicentro intelectual e artístico da Itália, um lugar para onde gravitavam os melhores talentos da época, atraídos pela generosidade e pela ambição cultural dos Sforza.

Informações Práticas

A entrada nos pátios do castelo é gratuita, tornando-o uma passagem popular para os locais que caminham do Duomo para o Parco Sempione. Os portões abrem diariamente das 7h00 às 19h30. Para visitar os museus é necessário bilhete (encerrado às segundas-feiras). O bilhete dá acesso a todos os museus do complexo, representando um valor cultural extraordinário.

Uma visita ao Castello Sforzesco é uma caminhada pelas camadas da identidade de Milão. Da força defensiva dos Sforza ao génio artístico de Leonardo e Miguel Ângelo, o castelo permanece como âncora cultural da cidade — não um monumento estático, mas um lugar onde a história continua viva a cada visita.