O Castelo na Falésia
Empoleirado no alto do Cabo Diamante, debruçando-se sobre o Rio São Lourenço e as ruas de paralelepípedos da Velha Quebeque, o Château Frontenac não é apenas um hotel; é o ícone de uma cidade e de uma nação. Com os seus telhados de cobre íngremes, a floresta de torreões e as suas torres de tijolo maciças, parece um castelo de conto de fadas francês que foi transportado para o Novo Mundo. Detém o recorde do Guiness para «o hotel mais fotografado do mundo», e é fácil perceber porquê. Define o horizonte da Cidade de Quebeque, visível a quilómetros de distância, como um farol de pedra sobre o rio.
Construído em 1893, fazia parte de uma visão grandiosa da Canadian Pacific Railway (CPR) para incentivar o turismo de luxo por todo o Canadá. Construíram uma cadeia de hotéis-castelo (incluindo o Banff Springs e o Lago Louise) para atrair viajantes abastados a percorrer os seus comboios de costa a costa. O Frontenac era a joia desta coroa, concebido para seduzir os turistas americanos através da arquitetura romântica dos châteaux do Vale do Loire francês.
Um Palco para a História
Embora tenha sido construído para o luxo, o Château Frontenac foi um palco para acontecimentos que mudaram o mundo.
As Conferências de Quebeque (1943 e 1944)
Durante a Segunda Guerra Mundial, o hotel foi requisitado para acolher duas reuniões estratégicas secretas conhecidas como as Conferências de Quebeque. Winston Churchill (Primeiro-Ministro britânico), Franklin D. Roosevelt (Presidente americano) e Mackenzie King (Primeiro-Ministro canadiano) reuniram-se aqui para planear o caminho aliado para a vitória. Foi na cidadela e nas suites do hotel que os planos iniciais para o Dia D (o desembarque na Normandia) foram ratificados. Hoje, os entusiastas de história podem ficar na «Suite Churchill» ou na «Suite Roosevelt», preservadas para refletir a sua grandiosidade dos anos 1940.
Arquitetura: O Estilo Château
O hotel foi desenhado pelo arquiteto americano Bruce Price. Criou um estilo que se tornou unicamente canadiano: o «Estilo Château». Combina elementos da arquitetura do Renascimento francês (telhados íngremes, janelas de mansarda, torres circulares) com influências do barroco escocês. O edifício cresceu por fases ao longo das décadas. A torre central da cidadela, que confere ao hotel a sua altura imponente, foi na verdade uma adição posterior, concluída em 1924, provando que a popularidade do hotel estava em plena ascensão.
Por Dentro do Hotel
Entrar no átrio é como recuar para a Idade de Ouro das viagens. As paredes são revestidas de mogno escuro e os lustres lançam uma luz quente e dourada. Uma recente renovação multimilionária refrescou os interiores, misturando luxo moderno com elementos Art Déco e históricos.
- O Restaurante Champlain: Nomeado em homenagem a Samuel de Champlain, o fundador de Quebeque, esta é uma das melhores salas de jantar do Canadá. Oferece cozinha quebecoide moderna com caça, queijos e frutos do mar locais, acompanhados de uma lista de vinhos da imensa adega.
- Bar 1608: Um bar circular célebre pelas suas vistas do rio e pela extensa seleção de queijos. O nome remete ao ano em que a Cidade de Quebeque foi fundada.
- A Sala de Baile: Uma sala magnífica com 10 lustres de cristal, inspirada na Galeria dos Espelhos de Versalhes. Tem acolhido galas reais e jantares de Estado durante décadas.
- As Abelhas no Telhado: Escondidas do olhar sobre o telhado do hotel existem quatro colmeias com 70 000 abelhas. Produzem centenas de quilos de «Mel do Château Frontenac» por ano, utilizado pelos chefs na cozinha e nos cocktails.
O Terraço Dufferin e os Fortes de Saint-Louis
O hotel é inseparável do Terraço Dufferin, uma ampla passarela de madeira que envolve a orla da falésia. No verão, está repleta de artistas de rua e turistas a comer gelados. No inverno, um gigantesco tobogã (construído em 1884!) lança os mais corajosos pelo declive abaixo a velocidades de até 70 km/h. É uma tradição aterradora e exaltante que tem emocionado visitantes durante mais de um século.
Mas o verdadeiro segredo está sob o terraço. Ao visitar, procure os prismas de visualização ou desça as escadas até ao Sítio Histórico Nacional dos Fortes e Châteaux Saint-Louis. Aqui, os arqueólogos desenterraram as ruínas da residência oficial dos governadores franceses e britânicos, que esteve neste local desde 1620 até ter sido destruída por um incêndio em 1834. O Château Frontenac foi construído literalmente sobre os alicerces do poder político da Nova França — camadas sobre camadas de história colonial que aguardam quem quiser descer até elas.
Uma Receção Real
O livro de hóspedes do Frontenac lê-se como um Quem é Quem do século XX. A Rainha Isabel II, Charles de Gaulle, Alfred Hitchcock (que aqui filmou o thriller I Confess em 1953), Grace Kelly e Leonardo DiCaprio ficaram todos aqui. O pessoal do hotel orgulha-se de tratar cada hóspede «como realeza», mantendo os padrões de serviço que definiram os grandes hotéis ferroviários do passado.
Hitchcock e Hollywood
O mestre do suspense Alfred Hitchcock amou tanto o hotel que iniciou o seu filme de 1953 I Confess com uma tomada dramática do hotel a dominar a cidade. Montgomery Clift interpretou um padre envolvido num mistério de assassínio filmado nos corredores do hotel — corredores que hoje os hóspedes percorrem sem suspeitar das histórias que as paredes guardam.
A Velha Quebeque
O Château Frontenac não pode ser separado da Cidade de Quebeque que o envolve. A Velha Quebeque (Vieux-Québec), com as suas muralhas do século XVII — as únicas muralhas urbanas a norte do México a subsistir — é Património Mundial da UNESCO desde 1985. Passear do hotel para as ruas estreitas e empedradas do Bairro Baixo (Basse-Ville), descer as escadas ou o Funicular, é mergulhar numa atmosfera europeia única no continente americano. A língua é francesa, a gastronomia é francesa, a arquitetura é francesa — mas o espírito é inconfundivelmente quebecoide, uma identidade forjada pela sobrevivência e pelo orgulho.
Informações Práticas
O Château Frontenac fica no coração da Velha Quebeque (Vieux-Québec), dentro das muralhas da cidade fortaleza.
- Alojamento: É uma propriedade Fairmont. Os preços variam muito consoante a época. O inverno (durante o Carnaval de Quebeque) e o verão são épocas de pico. Novembro e abril oferecem melhores tarifas.
- Tours: Não é preciso ser hóspede para ver o interior. Estão disponíveis visitas guiadas que passam pelos salões históricos, o jardim do chef no telhado (onde colhem mel das suas próprias abelhas) e explicam a história da Segunda Guerra Mundial.
- Código de Vestuário: O hotel é geralmente descontraído, mas o Restaurante Champlain requer «smart casual».
- Acessibilidade: O hotel é totalmente acessível, mas tenha atenção que as ruas da Velha Quebeque lá fora são inclinadas e têm paralelepípedos, o que pode ser desafiante para cadeiras de rodas.