A Jóia de Tijolo Vermelho da Bielorrússia
Erguendo-se das planícies verdes e planas da região de Grodno, o Complexo do Castelo de Mir (Mirsky zamok) é uma visão impressionante de tijolo vermelho e estuque branco. Não é apenas um castelo: é uma linha do tempo da história arquitetónica europeia congelada em pedra. A UNESCO classificou-o como «um exemplo notável de castelo da Europa Central», e é fácil perceber porquê. As suas cinco torres maciças, refletidas nas águas calmas do lago do castelo, fundem o poderio defensivo da Idade Média gótica com a elegância do Renascimento e o drama do Barroco.
Durante séculos, este castelo esteve na encruzilhada da história, testemunhando a ascensão e queda do Grão-Ducado da Lituânia, da Commonwealth Polaco-Lituana e do Império Russo. Hoje, magnificamente restaurado, é um dos monumentos mais visitados e queridos da Bielorrússia.
A Ambição dos Ilyinichs
A história de Mir começa no início do século XVI, por volta de 1520. O Duque Yuri Ilyinich, um magnata abastado, queria uma fortaleza que consolidasse o seu estatuto e talvez lhe valesse o título de Conde do Sacro Império Romano-Germânico. Escolheu um local perto da aldeia de Mir e iniciou a construção de uma enorme fortaleza gótica.
O design era formidável. Quatro torres quadradas ligadas por paredes espessas formavam um quadrado defensivo, com uma quinta torre servindo de casa da porta. As paredes estavam decoradas com padrões distintos de tijolo vermelho e nichos rebocados a branco — um estilo hoje conhecido como «Gótico Bielorrusso». Este motivo vermelho e branco não era apenas decorativo: era uma demonstração de riqueza, pois os tijolos eram caros. Infelizmente, a linhagem dos Ilyinich extinguiu-se apenas quatro décadas após o início da construção, e o castelo inacabado passou para os Radziwill.
A Era Dourada dos Radziwill
Em 1568, o castelo passou para a posse da família Radziwill, uma das mais ricas e poderosas dinastias da Europa Oriental. Sob o Príncipe Mikołaj Krzysztof Radziwiłł «o Órfão», Mir foi transformado de uma sombria fortaleza num luxuoso palácio renascentista. Os Radziwill acrescentaram uma ala palaciata de três andares ao longo das paredes norte e oriental. Importaram arquitetos italianos para redesenhar os interiores com fogões de azulejo, tetos artesonados e finas tapeçarias. As torres defensivas foram convertidas em espaços de habitação e foi criado um jardim italiano. Durante mais de dois séculos, Mir foi um centro de alta cultura, recebendo suntuosos bailes, caçadas e receções diplomáticas — um lugar onde o Oriente encontrava o Ocidente, onde a nobreza polaca se misturava com artistas italianos.
Guerra e Ruína
A localização estratégica do castelo significava que estava frequentemente na linha de fogo. Foi gravemente danificado durante as guerras com a Suécia no século XVII e devastado novamente durante a Grande Guerra do Norte no início do século XVIII. Mas o período mais romântico, se bem que destrutivo, chegou com as Guerras Napoleónicas. Em 1812, o castelo foi palco de uma feroz batalha entre o exército russo em retirada e a cavalaria polaca de Napoleão. O castelo foi incendiado e abandonado. Durante quase um século, permaneceu como uma ruína romântica, as suas torres sem telhado habitadas apenas por aves — objeto de pinturas e poemas, símbolo de grandeza perdida.
A Revitalização e os Sviatopolk-Mirsky
A fortuna do castelo voltou a mudar em 1891, quando foi comprado pelo Príncipe Nikolai Sviatopolk-Mirsky, um general russo que se apaixonou pelas ruínas e iniciou uma grande restauração. Mandou escavar um novo lago e plantou um parque paisagista de estilo inglês. O seu filho Mikhail continuou o trabalho, habitando o castelo até 1939. A capella familiar dos Sviatopolk-Mirsky, construída no parque em 1904, é uma peça deslumbrante de arquitetura Art Nouveau com mosaicos que rivalizam com os de São Petersburgo, servindo de último lugar de descanso para a família.
A Segunda Guerra Mundial e o Gueto
O século XX trouxe trevas a Mir. Durante a ocupação nazi da Bielorrússia na Segunda Guerra Mundial, o castelo foi utilizado como gueto judaico. Centenas de judeus da cidade de Mir e da área circundante foram aprisionados dentro destas muralhas medievais antes de serem assassinados nos bosques próximos. É um capítulo sombrio na história do castelo, reconhecido hoje por memoriais no local.
A Lenda da Cabeça de Carneiro
Uma das características arquitetónicas mais curiosas é uma pequena cabeça de carneiro em pedra embutida na parede sul do castelo — facilmente ignorada se não se olhar para cima. Segundo a lenda, o mestre construtor colocou-a ali como talismã mágico. A profecia diz que enquanto a cabeça de carneiro permanecer na parede, o castelo permanecerá de pé. Se cair, o castelo desmoronará e nunca mais se erguerá. Apesar de séculos de guerras e incêndios, a cabeça está ainda lá — e o castelo ainda de pé.
A Maldição do Lago e Outras Lendas
Para além da cabeça de carneiro, o Castelo de Mir é envolvido por outras lendas que entrelaçam história e folclore. A mais célebre é a Maldição do Lago. Quando o Príncipe Sviatopolk-Mirsky mandou escavar o lago artificial no final do século XIX, destruiu um pomar e um cemitério — incluindo sepulturas de judeus da comunidade local. Segundo a lenda, os mortos amaldiçoaram o lago: todos os anos, o lago reclama uma vida humana, e assim tem sido desde então. Os residentes locais evitam nadar no lago mesmo nos dias quentes de verão, e os guardas do castelo confirmam que, com efeito, afogamentos ocorrem com uma regularidade perturbadora.
Existe também a lenda do Tesouro dos Radziwill. Diz-se que, quando Napoleão avançou sobre a Rússia em 1812, os Radziwill esconderam as suas imensas riquezas — ouro, prataria, tapetes e joias — algures nas caves ou nos túneis do castelo. Apesar de décadas de buscas e escavações, nunca nada foi encontrado. Alguns historiadores defendem que o tesouro nunca existiu — que foi uma história inventada pelos Radziwill para desviar a atenção dos saqueadores napoleónicos. Mas os crentes continuam a visitar o castelo com mapas e teorias, alimentando uma das maiores caças ao tesouro da Europa de Leste.
Por fim, há o espectro da Dama Branca, avistado nas towers e pátios do castelo nas noites de neblina. Não há consenso sobre quem é a dama: alguns dizem ser uma filha dos Ilyinich que morreu de amor quando a família perdeu o castelo; outros identificam-na com uma das mulheres dos Radziwill que pereceu durante as guerras do século XVII. A lenda é suficientemente viva para que o hotel que ocupa a ala oriental reserve um apartamento especial — o «Quarto da Dama Branca» — para os hóspedes que querem experimentar a noite no castelo mais assombrado da Bielorrússia.
Informações Práticas
O Castelo de Mir fica a cerca de 90 km a sudoeste de Minsk e é frequentemente visitado em conjunto com o Castelo de Nesvizh, outra residência dos Radziwill nas proximidades. Prepare-se para subir: as escadas das torres são originais — íngremes, estreitas e em espiral. As caves albergam uma fascinante exposição sobre o armazenamento de alimentos no castelo. Excecionalmente, é possível ficar alojado no castelo: um hotel boutique ocupa a ala oriental, e dormir num quarto com paredes de um metro de espessura é uma experiência única. No verão, o castelo acolhe o festival de música «Castelo de Mir» e reconstituições medievais.