O Sentinela dos Cárpatos
Erguendo-se orgulhosamente sobre uma falésia de calcário a 566 metros de altitude, o Castelo de Niedzica (também conhecido como Castelo de Dunajec) oferece uma das vistas mais deslumbrantes da Polónia. Abaixo estende-se a superfície cintilante do Lago Czorsztyn; ao longe elevam-se os picos dentados das montanhas Tatra. Durante séculos, esta fortaleza foi o posto avançado mais a norte do Reino da Hungria, guardando a fronteira com a Polónia ao longo do Rio Dunajec. Do outro lado da água, as ruínas do castelo polaco de Czorsztyn olham de volta — lembrança da rivalidade histórica que definiu esta região. Hoje, Niedzica não é apenas uma relíquia de guerras de fronteira; é um centro cultural vivo, um museu e o epicentro de um dos mistérios históricos mais fascinantes da Europa, envolvendo realeza inca.
História: Uma Fortaleza Húngara em Solo Polaco
Embora seja hoje um tesouro nacional polaco, Niedzica foi construída pelos húngaros. A construção começou por volta de 1325 por Kokos de Brezovica, um nobre húngaro, com o objetivo de defender a fronteira norte da Hungria e controlar a lucrativa rota comercial pelo vale do Dunajec. O castelo permaneceu em mãos húngaras durante a maior parte da sua história, propriedade de famílias poderosas como os Zápolya, os Horváth e os Salamon. Foi testemunha das marés cambiantes do poder centro-europeu, sobrevivendo a incursões dos Tártaros e ao caos das Guerras Napoleónicas.
Um dos períodos mais estáveis foi sob a família Salamon, que o possuiu desde meados do século XIX até ao fim da Segunda Guerra Mundial. Durante a guerra, o castelo foi residência dos Salamon até que o avanço do exército soviético os forçou a fugir em 1945. O castelo foi saqueado e muitos dos seus tesouros perdidos, mas a estrutura permaneceu milagrosamente intacta. Desde 1948, está ao cuidado da Associação de Historiadores de Arte, que o restaurou meticulosamente e o abriu ao público, preservando a sua herança húngaro-polaca única.
Arquitetura: Alturas Góticas e Confortos Renascentistas
O castelo divide-se em duas partes distintas: o Castelo Superior e o Castelo Médio/Inferior, que refletem diferentes épocas de construção e função.
O Castelo Superior
A parte mais antiga é o Castelo Superior, encimado na rocha mais elevada. É de estilo gótico e foi construído para a defesa pura: contém a torre principal, a capela e os aposentos dos cavaleiros. A arquitetura aqui é austera e formidável, com espessas paredes de calcário concebidas para resistir às máquinas de cerco medievais. A subida ao terraço de observação no topo é íngreme mas recompensadora, oferecendo uma vista panorâmica sobre a barragem, o lago e o Parque Nacional de Pieniny.
O Castelo Inferior
Nos séculos XVI e XVII, o castelo foi expandido para se tornar mais habitável e representativo da riqueza dos proprietários. O Castelo Inferior apresenta pátios renascentistas, baluartes e alas residenciais. As «Câmaras dos Senhores» foram restauradas para mostrar como vivia a nobreza húngara, com mobiliário, armas e troféus de caça dos séculos XVI a XIX. A Grande Sala (Sala Rycerska) é particularmente impressionante, com o seu tecto de madeira e as suas exposições históricas, e é ainda hoje utilizada para conferências e banquetes.
A Lenda do Tesouro Inca
Niedzica é mundialmente famosa por uma lenda que parece o argumento de um filme de Indiana Jones. No final do século XVIII, Sebastião Berzeviczy, um nobre e aventureiro húngaro, viajou até ao Peru. Lá, casou com uma princesa inca — frequentemente identificada como Umina — e teve uma filha. Durante a rebelião espanhola contra os Incas (a revolta de Túpac Amaru II), a família fugiu de regresso à Europa para salvar a linhagem real inca, trazendo consigo parte do vasto ouro inca.
Instalaram-se em Niedzica. Contudo, assassinos espanhóis rastrearam-nos. Umina foi assassinada no pátio do castelo em 1797 para proteger a localização secreta do tesouro. O seu filho, Antão, foi adotado pela família Benesz para ocultar a sua identidade. A lenda diz que o tesouro foi enterrado algures nos terrenos do castelo.
Esta não é apenas folclore: em 1946, Andrzej Benesz (um descendente) encontrou um tubo de chumbo escondido sob um degrau do castelo. Dentro estava um quipu — o sistema inca de cordas com nós usado para registar informação —, que se acreditava ser o mapa do tesouro. O quipu foi enviado para ser decifrado, mas desapareceu em circunstâncias misteriosas. O tesouro nunca foi encontrado, mas a história atrai anualmente milhares de caçadores de tesouros e amantes do mistério ao castelo.
A Dama Branca
Ligado à lenda inca está o fantasma do castelo. A «Dama Branca» avistada a vaguear pelo pátio e pelas ameias acredita-se ser o espírito de Umina, a princesa inca. Dizem que aparece de vestido branco esvoaçante, a guardar eternamente o segredo do ouro dos seus antepassados. Alguns guardas relataram luzes estranhas e quedas súbitas de temperatura perto da capela onde ela foi sepultada. Ao contrário de muitos fantasmas de castelos que são vítimas de tragédias locais, Umina representa uma ligação a um continente distante e a um império perdido, tornando a história de Niedzica verdadeiramente única na Europa.
A Barragem, o Lago e as Atividades de Recreio
Mesmo ao lado do castelo fica a imponente Barragem de Niedzica, construída nos anos 1990. Embora controversa na época devido a preocupações ambientais, criou o lago que hoje espelha o castelo. Caminhar pelo topo da barragem proporciona um fantástico ponto de vista fotográfico, captando o castelo refletido na água com as montanhas ao fundo. O lago oferece oportunidades de vela e natação em zonas designadas, e no verão gondolas e barcos turísticos fazem a travessia entre Niedzica e as ruínas do castelo de Czorsztyn do outro lado, permitindo ver as duas fortalezas pela água.
Informações Práticas
O Castelo de Niedzica fica na região de Małopolska, a cerca de 2 horas a sul de Cracóvia. O museu inclui interiores históricos, uma câmara de tortura nas masmorras — apreciada especialmente pelos mais novos — e exposições sobre a história da região de Spisz. Mesmo fora das muralhas encontra-se a Casa das Carruagens (Wozownia), com veículos de tração animal do século XIX, incluindo trenós e carruagens da nobreza local. O castelo está aberto todo o ano, com horários reduzidos no inverno. Dado ser um destino muito popular aos fins de semana e feriados, recomenda-se chegar cedo para evitar filas. O terreno é acidentado e existem muitas escadas no interior, pelo que é indispensável calçado confortável.