A Pérola dos Cárpatos
Escondido nas densas florestas de pinheiro das Montanhas Bucegi, o Castelo de Peles parece um sonho tornado realidade. Não é uma fortaleza medieval concebida para a guerra, mas um palácio de verão concebido para a arte, o luxo e a tecnologia. Com as suas aguçadas torres, as fachadas de travejamento de madeira e os intrincados entalhes em pedra, é a obra-prima suprema do estilo Neo-Renascentista Alemão na Europa Oriental. Encomendado pelo Rei Carol I, o primeiro Rei da Roménia, serviu como berço da dinastia e símbolo da modernização do país. É amplamente considerado um dos castelos mais belos do mundo, uma caixa de joias de artesanato que rivaliza com os famosos palácios da Baviera.
Ao contrário do vizinho Castelo de Bran (frequentemente associado a Drácula), Peles é um lugar de luz e refinamento. Cada centímetro dos seus 160 aposentos está decorado com uma atenção obsessiva ao detalhe, refletindo o gosto pessoal do Rei e o enorme orçamento do projeto. Ergue-se como um monumento à breve mas gloriosa monarquia romena.
História: A Visão de um Rei
Em 1866, o Príncipe Carol de Hohenzollern-Sigmaringen (mais tarde Rei Carol I) visitou a pequena aldeia de Sinaia. Ficou tão encantado com a beleza selvagem da paisagem que decidiu ali construir a sua residência de verão. A construção começou em 1873, mas foi um desafio de engenharia colossal. Para construir sobre o terreno pantanoso, as fundações tiveram de ser asseguradas com estacas de carvalho, e o ribeiro Peles teve de ser desviado.
O castelo foi inaugurado em 1883, embora os trabalhos nos interiores tenham continuado até 1914. Era uma maravilha moderna: Peles foi o primeiro castelo na Europa a ser totalmente alimentado a eletricidade, gerada pela sua própria central hidroelétrica. Tinha aquecimento central, um elevador e até um sistema central de aspiração (construído em 1900!). Após a tomada do poder pelos comunistas em 1947, o castelo foi confiscado pelo Estado e fechado durante décadas — Ceaușescu raramente o visitava, pois os funcionários do museu disseram-lhe que um fungo estava a destruir a madeira, um estratagema inteligente para o manter afastado. Foi reaberto como museu após a Revolução de 1989 e devolvido à família real, que o arrenda ao Estado.
Arquitetura: Uma Coleção Global
O exterior é uma mistura romântica dos estilos alpinos alemão e suíço, encaixando-se na perfeição na paisagem montanhosa. Mas o interior é uma viagem pelo mundo.
O Salão de Honra
O Salão de Honra é o coração do castelo. Erguendo-se três andares de altura, está revestido de madeira de nogueira e freixo esculpida com uma intricidade que lembra rendilhado. O tecto possui um telhado de vidro colorido retráctil que podia ser aberto eletricamente para ventilar a sala ou deixar entrar o ar fresco da montanha. As paredes estão adornadas com baixos-relevos e estátuas, criando um espaço de grandiosidade esmagadora.
A Sala das Armas
O Rei Carol era um homem militar, e a sua coleção de armas e armaduras é uma das mais refinadas da Europa. A Sala das Armas exibe mais de 4 000 peças, incluindo espadas de verdugo alemãs, mosquetes otomanos e uma armadura completa para cavalo. A exposição é simultaneamente histórica e artística, com peças dispostas em troféus e padrões nas paredes.
As Salas Temáticas
Cada aposento tem um estilo distinto. A Sala Florentina apresenta lustres de vidro de Murano e portas de bronze fundidas em Roma. A Sala Moura é uma réplica de um salão da Alhambra, com uma fonte de mármore e armas norte-africanas. O Salão Turco era utilizado como sala de fumar, repleto de bordados de seda e divãs baixos. A Suite Imperial estava reservada para o Imperador austro-húngaro. É um vertiginoso espetáculo de ecletismo que demonstra o alcance global do gosto do Rei.
Os Jardins e o Pelișor
O castelo está rodeado por sete terraços decorados com estátuas de mármore italiano, fontes e balaustradas de pedra. A apenas algumas centenas de metros fica o Castelo Pelișor («Pequeno Peles»), construído para o sobrinho e herdeiro de Carol, o Rei Fernando, e a sua esposa, a famosa Rainha Maria. O Pelișor está decorado no estilo Arte Nova, refletindo a personalidade artística da Rainha. É mais íntimo e acolhedor do que o grandioso palácio vizinho, apresentando a famosa «Sala Dourada», onde o coração da Rainha esteve guardado por algum tempo após a sua morte. Todo o domínio constitui um enclave real de singular harmonia entre a arquitetura, a natureza e a história.
Sinaia: A Pérola da Montanha
Peles não existe no vácuo: está inserido na cidade de Sinaia, um destino de montanha que foi moldado pela presença real. Quando o Rei Carol I escolheu este vale, não havia praticamente nada aqui. O castelo trouxe a ferrovia, os hotéis, os cafés e os parques. Hoje, Sinaia é uma das estâncias de montanha mais elegantes da Roménia, com uma tradição de luxo e cultura que remonta ao século XIX. O Mosteiro de Sinaia, fundado em 1695 e anterior ao castelo, merece uma visita pelas suas igrejas pintadas e a sua tranquilidade monástica. Nos meses de inverno, as encostas acima do castelo transformam-se em pistas de esqui, e a combinação de visitar um palácio de conto de fadas pela manhã e esquiar pela tarde é uma experiência difícil de igualar na Europa. A paisagem dos Cárpatos que envolve Peles é tão impressionante quanto o próprio castelo: florestas de abeto e faia, picos rochosos, cascatas e ar puro de altitude criam um cenário que explica imediatamente porque é que o jovem Príncipe Carol ficou tão encantado que decidiu construir o seu sonho nestas montanhas.
Informações Práticas
Peles está localizado em Sinaia, a cerca de 120 km a norte de Bucareste (aproximadamente 2 horas de carro ou comboio). A viagem de comboio desde a Estação do Norte de Bucareste é pitoresca, serpenteando pelo Vale do Prahova. A partir de Sinaia, pode subir a pé pelo parque (uma subida íngreme de 20-30 minutos) ou apanhar um táxi. O castelo só pode ser visitado em visita guiada (Standard ou Alargada, a segunda inclui a Suite Imperial e é altamente recomendada). As filas podem ser muito longas no verão; chegue cedo. A temperatura no interior é mantida baixa para preservar as obras de arte — leve uma camisola mesmo no verão.