O Versalhes dos Habsburgos
Com a sua fachada amarelo-sol a estender-se infinitamente contra o céu vienense, o Palácio de Schönbrunn (Schloss Schönbrunn) é o símbolo máximo do poder e prestígio da dinastia Habsburgo. Durante séculos, este palácio barroco de 1 441 aposentos foi a residência de verão dos Imperadores da Áustria. É aqui que Maria Antonieta cresceu, onde Napoleão dormiu enquanto conquistava a Europa após casar com Maria Luísa, e onde o último Imperador, Carlos I, assinou o documento que pôs fim a 640 anos de domínio habsburguês em 1918.
O nome «Schönbrunn» significa «bela fonte». A lenda conta que o Imperador Matias se deparou com uma fonte cristalina enquanto caçava em 1612 e exclamou: «Welch' schöner Brunn!» (Que bela fonte!). Contudo, o palácio que vemos hoje é quase inteiramente o resultado da visão de uma mulher: a Imperatriz Maria Teresa.
Maria Teresa: A Mãe do Império
Em meados do século XVIII, Maria Teresa (a única soberana feminina dos domínios habsburgueses) transformou um modesto pavilhão de caça num reluzente centro imperial. Precisava de um palco suficientemente grande para albergar a sua família (tinha 16 filhos!) e a sua corte. Contratou o arquiteto Nicolaus Pacassi para remodelar o palácio no estilo rococó, criando uma casa simultaneamente grandiosa e surpreendentemente íntima.
Foi aqui, no Salão dos Espelhos, que um prodígio de seis anos chamado Wolfgang Amadeus Mozart executou o seu primeiro concerto para a Imperatriz. A história conta que após tocar, o pequeno saltou para o colo da Imperatriz e a beijou, encantando toda a corte. As paredes do palácio ainda parecem resoar com essa história.
Esplendor Imperial: As Salas de Estado
Embora o palácio tenha mais de 1 400 aposentos, apenas cerca de 40 estão abertos ao público. Estas «Salas de Estado» oferecem uma deslumbrante viagem pela era rococó. A Grande Galeria, mais comprida do que um campo de futebol, foi o cenário de bailes e receções imperiais. Sob os seus tectos frescos, estadistas dançaram e debateram o destino da Europa durante o Congresso de Viena em 1814-1815. O Salão dos Milhões, revestido de madeira de pau-rosa rara e decorado com 260 preciosas miniaturas indianas e persas, é considerado um dos melhores interiores rococó existentes — o seu nome deriva do facto de ter custado uma fortuna a construir.
Em contraste com o luxo predominante, o Quarto de Franz Joseph é surpreendentemente espartano. O Imperador Franz Joseph I, que nasceu e morreu no castelo, levava uma vida disciplinada de soldado: dormia numa simples cama de campanha de ferro e levantava-se às quatro da manhã para trabalhar. Os aposentos de Sisi (a Imperatriz Elisabeth), por outro lado, refletem a sua obsessão com a beleza, incluindo equipamentos de ginástica que chocaram a corte da época.
Os Jardins: Uma Obra-Prima Barroca
O parque de Schönbrunn é tão significativo quanto o palácio. Estendendo-se por mais de um quilómetro, é um Património Mundial da UNESCO concebido para demonstrar o domínio dos Habsburgos sobre a natureza. A Gloriette, uma maciça estrutura colunada coroando a colina oposta ao palácio e encimada por uma águia imperial, foi construída em 1775 para «honrar a guerra justa». Hoje alberga um café: sentar lá com uma fatia de Sacher Torte, olhando para o palácio amarelo e a cidade de Viena ao fundo, é uma das experiências clássicas vienenses. A Fonte de Neptuno e a «Ruína Romana» — uma fantasia construída em 1778 para parecer uma ruína antiga coberta de plantas — completam o conjunto de caprichos de jardim que servem de pano de fundo à vida palaciana.
O Jardim Zoológico Mais Antigo do Mundo
A característica mais surpreendente dos jardins é o Tiergarten Schönbrunn. Fundado em 1752 por Franz Stephan (marido de Maria Teresa), é o zoo mais antigo do mundo. Originalmente era uma menagerie para a família imperial se maravilhar com animais exóticos como girafas e elefantes num cenário de pavilhão barroco. Hoje é um centro de conservação moderno, repetidamente eleito o melhor zoo da Europa, mas os animais ainda habitam recintos que irradiam do pavilhão imperial original de pequeno-almoço. A adjacente Estufa das Palmeiras (Palmenhaus), construída em 1882, é a maior estufa da Europa continental, dividida em três zonas climáticas.
O Congresso de Viena e a Herança Política
Schönbrunn não é apenas um museu de vida imperial privada: é também um palco da grande política europeia. Em 1814-1815, a Grande Galeria acolheu os bailes e receções do Congresso de Viena, o encontro diplomático que redesenhou o mapa da Europa após as Guerras Napoleónicas. Delegados de dezenas de estados europeus debateram fronteiras, soberania e equilíbrio de poderes ao ritmo das valsas de Strauss tocadas nas salas ao lado. O Príncipe Metternich, anfitrião austríaco do congresso, usou Schönbrunn como instrumento de sedução diplomática: os jardins e os salões criavam uma atmosfera de opulência e civilização que tornava a Áustria o árbitro natural dos destinos europeus. Um século mais tarde, em novembro de 1918, Carlos I assinou no mesmo palácio o documento que renunciou à sua participação nos assuntos de estado austríacos — não tecnicamente uma abdicação, mas equivalente a uma, e que pôs fim ao Sacro Império Romano-Germânico na sua última encarnação. Estes dois momentos — o triunfo em 1815 e o ocaso em 1918 — enquadram um século de poder habsburguês cujos ecos ainda se sentem em Viena.
Perguntas Frequentes e Informações Práticas
Porque é amarelo? A cor ocre distinta é conhecida como «Amarelo de Schönbrunn». Tornou-se uma assinatura da monarquia habsburguesa, e poderá ver edifícios governamentais e estações de caminho de ferro por todo o antigo Império Austro-Húngaro (de Praga a Budapeste) pintados exatamente nesta tonalidade. É melhor do que o Hofburg? São diferentes: o Hofburg (no centro da cidade) era a residência de inverno e é mais um complexo de museus; Schönbrunn era a residência de verão e parece um palácio coeso com jardins. A maioria dos turistas prefere Schönbrunn pela sua atmosfera de conto de fadas. Para a visita, tome a linha U4 do metro (linha verde) até à estação «Schönbrunn». O «Grand Tour» (40 aposentos) é altamente recomendado para ver o esplendor completo. À noite, a Orangerie acolhe concertos diários com música de Mozart e Strauss.