O Guardião de Granito do Rio Aura
De sentinela na foz do Rio Aura, o Castelo de Turku (Turun linna) é mais do que uma simples fortificação; é o leito de granito sobre o qual grande parte da história finlandesa foi construída. Como um dos edifícios mais antigos da Finlândia, as suas paredes de pedra cinzenta testemunharam mais de 700 anos de cercos, intrigas reais, incêndios e festividades. Das suas humildes origens como acampamento militar à sua época de ouro como palácio renascentista, e mais tarde ao seu declínio como prisão e armazém, a história do castelo espelha a própria jornada da nação.
Hoje é o museu mais visitado da Finlândia, um complexo labiríntico onde os visitantes podem caminhar por calabouços medievais, dançar em salões de baile renascentistas e explorar as exposições abrangentes do Museu Histórico de Turku. É um lugar onde o passado não é apenas recordado; é palpável.
Do Castrum ao Castelo
A construção do castelo teve início por volta de 1280, pouco após a incorporação da Finlândia no Reino da Suécia. Originalmente, era um simples acampamento fortificado (castrum) construído numa ilha para proteger a florescente cidade comercial de Turku e servir de centro administrativo para a coroa sueca na «Terra do Leste». Ao longo dos dois séculos seguintes, o acampamento aberto foi cercado e elevado, transformando-se no enorme keep de pedra que vemos hoje.
O castelo medieval era um lugar sombrio, concebido exclusivamente para defesa e administração. Albergava os soldados, o bailiff e as reservas de grão e impostos cobrados à camponesia. O «Castelo Principal» (a parte central e alta) retém este carácter austero e militar, com as suas espessas muralhas, estreitas escadas em caracol e galerias defensivas.
A Época de Ouro: O Duque João e Catarina Jagielão
A transformação do castelo de fortaleza em palácio ocorreu em meados do século XVI, durante a época do Duque João (mais tarde Rei João III da Suécia). Em 1556, o Rei Gustavo Vasa nomeou o seu filho João Duque da Finlândia. João instalou-se em Turku e, de forma crucial, casou com a princesa polaca Catarina Jagielão.
Catarina trouxe consigo um enorme dote e o gosto refinado da corte renascentista de Cracóvia. Sob a sua influência, o Castelo de Turku floresceu. As frias e austeras salas de pedra foram revestidas de madeira e decoradas com tapeçarias. Grandes janelas foram abertas nas muralhas para deixar entrar luz. O casal introduziu garfos, veludo e a moda continental na Finlândia. Por um breve e brilhante momento, a corte de Turku foi um centro de cultura e política europeias, rivalizando com a própria Estocolmo. O «Bailey» (o castelo exterior) foi expandido durante este período para albergar a nova corte. A Sala do Rei e a Sala da Rainha, com os seus tetos caixotados e a bela iluminação, são o legado desta época.
A Prisão dos Reis
No entanto, a época de ouro foi de curta duração. O irmão do Duque João, o Rei Eric XIV, cresceu ciumento e desconfiado. Sitiou o castelo em 1563 e João e Catarina foram capturados e aprisionados na Suécia. Numa reviravolta do destino, quando João depôs mais tarde Eric e se tornou Rei, aprisionou o seu irmão no Castelo de Turku. A «Prisão de Eric XIV» é uma pequena e modesta câmara de guarda onde o rei deposto foi mantido. O castelo continuou a servir de prisão durante séculos, albergando criminosos comuns e dissidentes políticos. A «Torre Redonda» e os calabouços sob o keep principal são lugares arrepiantes, com as suas pesadas portas de ferro e graffiti gravado nas paredes por reclusos sem esperança.
Destruição e Restauração
No século XIX, o castelo perdera o seu valor militar e era usado como armazém de grão. Em 1941, durante a Guerra de Continuação, o castelo foi atingido por uma bomba incendiária soviética. Os telhados e interiores de madeira foram completamente destruídos pelo incêndio que se seguiu. Parecia ser o fim para a antiga fortaleza. Mas a destruição abriu caminho para a mais extensa restauração da história finlandesa. Com início após a guerra e conclusão em 1961, o projeto não só reparou os danos como procedeu à escavação arqueológica completa do local. A restauração foi realizada com enorme respeito pelas diferentes camadas da história. Hoje é possível ver claramente as linhas entre a pedra medieval, o tijolo renascentista e os reparos de betão moderno.
Destaques do Museu
O castelo faz atualmente parte do Centro de Museus de Turku. A coleção é vasta, mas os destaques incluem as Esculturas de Madeira Medievais — uma coleção impressionante de arte religiosa proveniente das igrejas finlandesas medievais, incluindo raras estátuas de santos em madeira que sobreviveram à Reforma. Existe também um Modelo em Miniatura do Castelo que mostra o seu aspeto no seu auge, e uma coleção de brinquedos que encanta crianças e adultos nostálgicos.
Lendas do Castelo
O Castelo de Turku é famosamente assombrado. O «Duende» (Tonttuukko) é um espírito benevolente que se diz proteger o castelo — descrito como um homenzinho de barba grisalha que vive nas caves. O pessoal do museu deixa-lhe uma tigela de papa no Natal para garantir o seu favor. Menos benevolente é a lenda do soldado sem cabeça que patrulha as ameias nas noites de névoa. E há a trágica história da nobre que foi emparedada viva na «Torre da Donzela» por amar um plebeu.
Planear a Visita
O Castelo de Turku fica a cerca de 3 km do centro da cidade, mesmo no porto onde partem as ferries para a Suécia. É vivamente recomendado aderir a uma visita guiada para navegar o labirinto de aposentos e ouvir as histórias do Duque João e do Rei Eric. A parte medieval do castelo é um desafio para a acessibilidade, com escadas íngremes e irregulares e sem elevadores. O castelo oferece «Visitas de Pequeno Cavaleiro» para crianças, onde são «armadas cavaleiras» pela Rainha e podem vestir fatos e procurar o elfo do castelo. O Parque do Castelo envolvente é um local agradável para uma caminhada, com belas vistas sobre o porto. O Castelo de Turku é um edifício que exige respeito — é frio, duro e imponente, mas por dentro está cheio de vida e de histórias. É a memória da Finlândia, esculpida em pedra.