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Castelo de Bojnice

Castelo de Bojnice

📍 Bojnice, Eslováquia 📅 Construído em Século XII (origens)

O Conto de Fadas da Eslováquia

Feche os olhos e imagine um castelo de conto de fadas. Telhados íngremes em ardósia cinzenta, paredes de tons suaves, torres esguias a furar o céu de uma colina coberta de árvores. É muito provável que o que imaginou se pareça muito com o Castelo de Bojnice (Bojnický zámok). Este tesouro eslovaco parece saído de um filme da Disney ou transplantado do Vale do Loire — e não é por acaso que é o castelo mais visitado e mais fotografado da Eslováquia.

Mas Bojnice nem sempre foi assim romántico. Começou no século XII como uma simples fortaleza de madeira num outeiro de travertino. Ao longo dos séculos foi reconstruído em pedra, expandido em estilo gótico pelo lendário Rei Matias Corvino, e transformado em residência renascentista pela família Thurzó. O castelo que vemos hoje, porém, é a visão de um único homem: o Conde János Ferenc Pálffy.

A Obsessão do Conde

O Conde Pálffy (1829–1908) foi o último proprietário privado do castelo. Aristocrata rico, colecionador de arte e solteiro convicto, apaixonou-se pela arquitetura romântica de França e Itália. Em 1889, lançou um ambicioso projeto de reconstrução que consumiu os últimos vinte anos da sua vida. Dirigia pessoalmente os arquitetos, esboçando projetos inspirados em castelos como Pierrefonds e no palácio papal de Avinhão.

Tragicamente, o Conde nunca viu o seu sonho concluído. Morreu em Viena em 1908, apenas dois anos antes de as obras terminarem. No seu testamento, estipulou que o castelo deveria ser aberto ao público como museu para a sua vasta coleção de arte. Mas disputas entre os herdeiros e o caos das guerras seguintes levaram à venda de muitas das suas riquezas antes de o Estado Checoslovaco adquirir a propriedade em 1939.

A Lenda da Dama de Negro

Como qualquer castelo que se preze, Bojnice tem os seus fantasmas. O mais famoso é a Dama de Negro. A lenda diz que era a esposa de um senhor do castelo, acusada de infidelidade por parentes ciumentos enquanto o marido estava em guerra. Quando o senhor regressou, acreditou nas mentiras e sentenciou-a a um julgamento por ordálio: teria de saltar da torre mais alta para o fosso com o bebé recém-nascido nos braços. Se sobrevivesse, era inocente; se morresse, era culpada.

Segundo o conto, ao saltar, ela não caiu. Em vez disso, flutuou no ar e transformou-se numa sombra negra, enquanto os seus acusadores se petrificaram em cães de pedra. Ainda hoje há quem afirme ver uma mulher de negro a vaguear pelos corredores e escadas do castelo, a lamentar o seu destino.

O Sarcófago que Chora

Outro mistério mora na cripta debaixo do castelo. Aqui descansa o sarcófago de mármore vermelho do próprio Conde Pálffy. Na década de 1990, um líquido escuro e estranho começou a escorrer da sepultura. Os cientistas analisaram-no mas não conseguiram identificar a sua origem ou causa. Os habitantes locais acreditavam que eram as «lágrimas» do Conde, a chorar porque o seu adorado Retábulo de Bojnice tinha sido transferido para Praga. Surpreendentemente, depois de o retábulo regressar ao castelo em 1995, o escorrimento parou. O sarcófago permanece seco até hoje.

Os Destaques do Castelo

Uma visita a Bojnice é uma viagem por diferentes épocas artísticas:

  • A Sala Dourada: O teto desta sala é esculpido em madeira de tília e coberto de folha de ouro. Ao centro, um retrato do Conde Pálffy observa a sua criação de cima. O lema «Omnia cum tempore» (Tudo a seu tempo) está inscrito aqui.
  • A Sala Oriental: Pálffy era um viajante do mundo, e esta sala foi concebida para albergar a sua coleção de arte asiática. Apresenta painéis de parede turcos intrincados e um teto deslumbrante.
  • A Capela do Castelo: Este espaço alberga o famoso Retábulo de Bojnice, criado pelo mestre medieval Nardo di Cione no século XIV. É a única obra deste mestre florentino totalmente preservada fora de Itália.
  • A Gruta de Travertino: Por baixo do castelo existe uma caverna natural com 22 metros de diâmetro. Serviu de fonte de água e de abrigo para os seus habitantes desde a Idade da Pedra.

A Tília do Rei Matias

No parque do castelo ergue-se um monumento vivo mais antigo do que a maioria das muralhas: a Tília do Rei Matias. Plantada em 1301, esta árvore colossal tem mais de 700 anos e um tronco com 11 metros de circunferência. A lenda diz que o Rei Matias Corvino, que governou no século XV, adorava presidir à sua corte e organizar grandes festins à sombra dos seus ramos. Chegou mesmo a assinar decretos reais aqui, terminando-os com a frase «Sub tilia» (Debaixo da tília).

Festivais e Eventos

Bojnice não é um museu empoeirado — é um espaço vivo com uma programação rica:

  • Festival Internacional de Fantasmas e Espíritos: Realizado todos os anos no final de abril e início de maio, é o evento mais famoso do castelo. Atores, dançarinos e músicos profissionais transformam o castelo numa casa de terror (mas de cariz familiar), recriando as lendas mais sombrias da sua história.
  • Falcoaria: Os jardins do castelo acolhem o Grupo de Falcoaria Aquila, que organiza espetáculos com águias, mochos e falcões durante o verão.
  • Visitas Noturnas: Em julho e agosto, visitas especiais à luz de velas permitem explorar o castelo ao anoitecer, acrescentando uma camada extra de mistério à experiência.

A História por Detrás da Arquitetura

O que torna Bojnice particularmente fascinante é o facto de cada sala contar uma história de transição. O Conde Pálffy não queria apenas um castelo bonito — queria um castelo que parecesse ter sempre sido assim, como se os séculos o tivessem moldado organicamente. Estudou durante anos a arquitetura dos castelos franceses, em especial Pierrefonds e Chaumont, e mandou os seus arquitetos misturar estilos de épocas diferentes para criar uma sensação de profundidade histórica. O resultado é um edifício que engana o olho: parece medieval mas tem comodidades do século XIX escondidas nas paredes. Aquecimento a vapor, canalizações de água corrente e um sistema de comunicação interno já existiam quando o castelo foi inaugurado para o público em 1910. É um castelo do século XIX mascarado de fortaleza do século XII — e é precisamente essa ilusão que o torna tão magnético.

Informações Práticas

  • Horário: Aberto durante todo o ano, exceto às segundas-feiras fora da época alta.
  • Bilhetes: Compra online ou na bilheteira. Há uma taxa extra para fotografar no interior, que é rigorosamente aplicada.
  • Idioma: As visitas guiadas são principalmente em eslovaco, mas há audioguias e textos escritos disponíveis em inglês e outras línguas.
  • O Jardim Zoológico: Mesmo ao lado do castelo fica o Zoo de Bojnice, o jardim zoológico mais antigo e mais visitado da Eslováquia. Combinar o castelo com o zoo faz uma excelente visita de dia inteiro.