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Castelo de Cēsis

Castelo de Cēsis

📍 Cēsis, Letónia 📅 Construído em 1209

O Quartel-General dos Cruzados

O Castelo de Cēsis (Cēsu pils) não é apenas uma ruína — é um monumento às Cruzadas do Norte e à história feroz da região báltica. Situado no coração do Parque Nacional de Gauja, foi durante séculos a fortaleza mais importante da Ordem da Livónia (um ramo dos Cavaleiros Teutónicos). Daqui, os Mestres da Ordem governavam as terras que são hoje a Letónia e a Estónia.

Hoje, o castelo é um dos locais mais românticos e evocativos dos países bálticos. Os visitantes recebem uma lanterna com uma vela de verdade para explorar as escadas estreitas e sinuosas da Torre Oeste — uma experiência que os transporta instantaneamente para a Idade Média. O silêncio das ruínas, quebrado apenas pelo grasnido dos corvos, cria uma atmosfera de mistério que poucos castelos do mundo conseguem igualar.

A Ascensão de Wenden

A construção do castelo, originalmente conhecido como Wenden, começou por volta de 1209 sob Wenno von Rohrbach, o primeiro Mestre dos Irmãos da Espada da Livónia. Foi construído numa colina com posição estratégica sobre o vale do Rio Gauja. À medida que o poder da Ordem crescia, o castelo também crescia. No século XV, tinha evoluído para um enorme complexo de pedra com três bailias fortif icadas, protegidas por fossos profundos e pesadas torres de artilharia.

O castelo não era apenas uma base militar — era um centro diplomático. Acolhia reuniões da Liga Hanseática e recebia embaixadores de toda a Europa. A cidade de Cēsis cresceu à volta das suas muralhas, prosperando com o comércio e a segurança proporcionados pelos cavaleiros.

A Tragédia de 1577

O evento mais dramático e trágico da história do castelo ocorreu durante a Guerra da Livónia. Em 1577, o exército de Ivan, o Terrível, o Czar da Rússia, sitiou Cēsis. O castelo estava repleto de centenas de pessoas — cavaleiros, cidadãos, mulheres e crianças — à procura de refúgio contra as forças invasoras.

Quando os pesados canhões russos brecharam as muralhas e a derrota se tornou inevitável, os defensores tomaram uma decisão desesperada. Em vez de enfrentar o tratamento brutal conhecido pelas tropas de Ivan, decidiram tirar a própria vida. Reuniram-se na sala principal, colocaram barris de pólvora sob o chão e fizeram-se explodir. A explosão causou o colapso da ala ocidental do castelo, enterrando os defensores sob toneladas de escombros. Foi um suicídio coletivo que chocou a Europa, um testemunho do horror inspirado pelo Czar «Terrível». As marcas da explosão ainda são visíveis nas paredes — uma cicatriz histórica que nenhuma restauração apagou.

O Castelo Novo e o Jardim

Após a Grande Guerra do Norte no início do século XVIII, o castelo medieval foi abandonado e caiu em ruínas. Porém, o sítio não foi esquecido. No século XVIII, o «Castelo Novo» (Cēsu Jaunā pils) foi construído no local da antiga gatehouse. Esta casa senhorial tornou-se a residência da família Sievers, que transformou as ruínas sobrecobertas de vegetação num parque paisagístico romântico. O Castelo Novo alberga hoje o Museu de História e Arte de Cēsis, com belos interiores Biedermeier e uma torre com vistas panorâmicas sobre a cidade.

Explorar as Ruínas

Visitar a secção medieval é uma aventura.

A Torre Oeste

Este é o ponto alto de qualquer visita. Armado com a lanterna de vela, sobe-se os degraus de pedra estreitos até à Câmara do Mestre. Esta sala, um dos poucos interiores sobreviventes, apresenta um magnifico teto de abóbada estrelada e fragmentos de pinturas murais do século XVI. Oferece um vislumbre raro da vida privada do Mestre da Ordem. A vista pelas janelas sobre o parque cria um contraste sereno com a história marcial da torre.

A Torre Sul (Tall Hermann)

A estrutura mais imponente vista do exterior é a Torre Sul, também conhecida como «Tall Hermann». Foi construída no século XV especificamente para alojar canhões. As paredes são incrivelmente espessas — mais de 4 metros na base — para resistir ao fogo de artilharia. Na cave, é possível espreitar para a masmorra do castelo, um lembrete sombrio da justiça da Ordem. A torre é frequentemente usada para exposições multimédia que narram a história das defesas do castelo.

O Jardim Medieval

No verão, o pátio interior transforma-se num jardim medieval de cozinha. O jardineiro cultiva apenas plantas disponíveis na Idade Média — legumes esquecidos como o cherril de raiz e plantas medicinais usadas pelos cavaleiros. Aos fins de semana, artesãos instalam oficinas no jardim, demonstrando habilidades antigas como a entalhagem de osso, o trabalho em couro e a cozedura de pão num forno de barro. Este elemento de história viva ajuda os visitantes a compreender o quotidiano das pessoas que viviam e trabalhavam à sombra da Ordem.

A Bandeira da Letónia e a Lenda do Chefe Ferido

Cēsis é frequentemente citada como o berço da bandeira letã, uma das mais antigas bandeiras nacionais do mundo. Segundo a Crónica Rimada da Livónia, durante uma batalha perto de Cēsis em 1279, um chefe letão ferido foi envolvido num lençol branco. O seu sangue manchou as bordas do lençol a vermelho, deixando uma faixa branca no meio. Os soldados letões usaram este lençol ensanguentado como estandarte na batalha seguinte e saíram vitoriosos. Este padrão vermelho-branco-vermelho tornou-se o símbolo da resistência e da identidade letã — e é a bandeira que ainda hoje tremula sobre o país.

A Mulher de Verde

Outra lenda fala da «Mulher de Verde». Diz-se que uma jovem, filha de um artesão do castelo, se apaixonou por um soldado sueco durante as guerras polaco-suecas. Traindo o seu povo, fazia sinais aos Suecos com uma lanterna a partir da torre. Os defensores apanharam-na e, como castigo, murararam-na viva nas paredes da torre. O seu fantasma, vestido de verde, aparece em noites de luar, advertindo de perigos iminentes ou simplesmente lamentando o seu trágico destino.

Informações Práticas

Cēsis é facilmente acessível de comboio ou autocarro a partir de Riga (aproximadamente 2 horas).

  • Visitas à Luz de Velas: A visita autoguiada com lanterna está disponível durante todo o ano, mas é especialmente atmosférica no outono e no inverno, quando os dias são curtos e o castelo fica envolto em escuridão.
  • Festivais: Cēsis é conhecida como a capital cultural de Vidzeme. O Festival de Arte de Cēsis no verão traz concertos, exposições e teatro ao parque do castelo. Os Dias Medievais em julho são imperdíveis para os apaixonados por história, com reconstituições de torneios de cavalaria.
  • Arredores: O Parque Nacional de Gauja oferece trilhos de caminhada, penhascos de arenito e as trilhas naturais de Ligatne, tornando Cēsis numa base perfeita para explorar a natureza letã.