A Fortaleza dos Vasa
Emergindo das águas tranquilas do Lago Mälaren na encantadora cidade de Mariefred, o Castelo de Gripsholm é um dos monumentos reais mais icónicos da Suécia. Com as suas imponentes torres circulares de tijolo vermelho e a sua fachada robusta, é o exemplo mais perfeito do estilo renascentista Vasa. Foi construído em 1537 pelo Rei Gustavo Vasa, pai da nação sueca moderna, originalmente concebido como parte de uma rede defensiva para proteger Estocolmo de inimigos domésticos e estrangeiros — mas rapidamente evoluiu para uma residência real favorita, função que desempenhou durante quase cinco séculos.
O castelo foi construído no local de uma fortaleza medieval anterior, propriedade de Bo Jonsson Grip (daí o nome «Gripsholm» — a ilha de Grip). Gustavo Vasa confiscou as terras durante a Reforma e reutilizou as pedras do mosteiro vizinho para construir a sua nova fortaleza. O resultado foi uma estrutura formidável mas elegante que simbolizava o poder da nova dinastia Vasa. As paredes espessas — até três metros em alguns pontos — foram concebidas para resistir ao fogo de canhão, uma nova ameaça no século XVI.
Uma Prisão para Reis
Embora Gripsholm tenha sido construído para projetar poder, serviu frequentemente como gaiola dourada para a própria família real. O castelo tem uma história sombria como prisão para monarcas destronados. O Rei Érico XIV, filho mais velho de Gustavo Vasa, foi aqui encarcerado pelo seu irmão João III entre 1563 e 1567. Embora tivesse aposentos relativamente confortáveis, a humilhação era absoluta.
Séculos mais tarde, em 1809, o Rei Gustavo IV Adolfo foi igualmente mantido prisioneiro em Gripsholm após um golpe de Estado, antes de ser forçado a abdicar e enviado para o exílio. Os visitantes podem ainda hoje ver os aposentos onde estes reis sofreram, contemplando as suas coroas perdidas. Diz-se que Gustavo IV Adolfo passou o tempo a tocar piano — as notas a ecoar tristemente pelos corredores de pedra, um lembrete fantasmagórico da queda da monarquia absoluta.
A Galeria Nacional de Retratos
Hoje, Gripsholm é talvez internacionalmente mais conhecido por albergar a Galeria Nacional de Retratos da Suécia (Statens porträttsamling). Fundada em 1822 pelo Rei Carlos XIV João, é a mais antiga galeria de retratos nacionais do mundo. A coleção conta com mais de 5 000 obras que documentam a história da Suécia desde o século XVI até ao presente, incluindo retratos de reis, rainhas, cientistas, escritores e figuras públicas.
A coleção não é um arquivo empoeirado: está viva e em crescimento. Todos os anos, a Associação Gripsholm encomenda um «Retrato de Honra» de um sueco distinto ainda vivo, garantindo que a galeria se mantém relevante para o presente. Adições recentes incluem retratos de Benny Andersson dos ABBA, do diplomata Hans Blix e do Primeiro-Ministro Olof Palme. Percorrer as salas é como folhear um «Quem é Quem» da história sueca, observando as modas e os estilos artísticos em mutação ao longo de 500 anos.
O Teatro da Torre Circular
Uma das surpresas mais deliciosas do castelo encontra-se escondida dentro de uma das imponentes torres circulares: o Teatro do Palácio, mandado construir pelo Rei Gustavo III — o «Rei do Teatro» — em 1781. É um dos teatros do século XVIII mais bem preservados da Europa. O palco íntimo, completo com os seus cenários e maquinaria originais, foi utilizado para entreter a corte. Gustavo III adorava representar e participava frequentemente nas peças, esbatendo a fronteira entre monarca e ator.
O teatro é uma joia do design neoclássico que contrasta vivamente com a pesada arquitectura renascentista do exterior. Permaneceu esquecido durante décadas até ser redescoberto e restaurado no século XX. Os cenários originais, pintados para imitar palácios e florestas, continuam no lugar — uma janela perfeita para a vida da corte do Iluminismo escandinavo.
O Leão de Gripsholm
Nenhuma visita a Gripsholm fica completa sem ver a sua mais bizarra celebridade: o Leão de Gripsholm. Em 1731, o Dey de Argel ofereceu ao Rei Frederico I um leão vivo — um dos primeiros na Escandinávia. O animal viveu numa jaula junto ao Palácio Real de Estocolmo até à sua morte. O Rei ordenou então que a pele e os ossos fossem entregues a um taxidermista para serem montados.
O problema foi que o taxidermista nunca tinha visto um leão vivo. Trabalhando apenas a partir da pele e dos ossos, fez o melhor que pôde — mas o resultado é... singular. O leão tem uma face estranhamente humana, com olhos próximos e um sorriso abobalhado e palerminha que parece mais uma personagem de banda desenhada do que um predador feroz. Durante séculos permaneceu em armazém, mas na era da internet as fotografias deste «leão mal empalhado» tornaram-se virais, e hoje é exibido com orgulho como uma obra-prima (involuntária) da comédia.
A Câmara do Duque Carlos
Para uma visão autêntica da vida real do século XVI, os visitantes devem procurar a Câmara do Duque Carlos. É um dos raros aposentos que conservou quase intacto o interior original da era Vasa. As paredes estão revestidas de painéis com frisos pintados de flores e frutos, e o quarto tem uma porta secreta que conduz ao fosso — uma saída de emergência útil para um príncipe com tendências paranóicas. O espaço dá uma sensação rara da cor e da vivacidade da corte renascentista, que frequentemente imaginamos como sombria e austera.
As Runas Vikings
A história de Gripsholm precede em muito a fortaleza medieval. Mesmo à entrada do castelo encontram-se duas antigas pedras rúnicas descobertas no século XX durante obras de restauro. Datam da Era Viking (século XI) e recordam a «Expedição de Ingvar», uma desastrosa viagem viking ao Mar Cáspio. As inscrições contam a história trágica de guerreiros que «partiram como homens à procura do ouro» mas morreram no Oriente. Estas pedras servem como um poderoso lembrete das raízes profundas da história neste local, ligando os reis renascentistas aos seus antepassados vikings.
Informações Práticas
O Castelo de Gripsholm fica em Mariefred, uma cidade pitoresca com casas de madeira e ruas de calçada, a cerca de uma hora a oeste de Estocolmo. O castelo está aberto ao público diariamente no verão (maio-setembro) e aos fins de semana no inverno. A forma mais apelativa de chegar no verão é a bordo do histórico vapor S/S Mariefred, que navega a rota desde Estocolmo desde 1903, percorrendo o belo arquipélago do Lago Mälaren. No parque de veados junto ao castelo, é possível caminhar entre gamos em liberdade.