O Castelo Mais Bonito do Mundo
Erguendo-se majestosamente das águas calmas do seu fosso, o Castelo de Leeds em Kent tem sido descrito por historiadores e visitantes como «o castelo mais bonito do mundo». É uma fortaleza saída de um livro de ilustrações, com as suas muralhas de pedra e ameias refletidas na perfeição no lago circundante. Mas Leeds é muito mais do que uma fachada apelativa: tem uma história rica que abrange 900 anos, servindo como baluarte normando, palácio real de seis rainhas medievais de Inglaterra e glamoroso retiro do século XX para os ricos e famosos. A sua mistura única de grandiosidade medieval e luxo Art Déco faz dele uma das casas históricas mais fascinantes da Grã-Bretanha.
Situado perto de Maidstone, a apenas uma hora de Londres, o castelo assenta em 200 hectares de belos jardins e parque. Seja qual for o interesse — história real, coleiras de cão (sim, mesmo!) ou perder-se num labirinto de teixo — Leeds oferece um dia de exploração completo.
O Castelo das Rainhas: Um Legado Real
Leeds é frequentemente chamado «O Castelo das Rainhas» pela sua longa associação com as rainhas medievais. Era tradicionalmente a dower house das Rainhas de Inglaterra — a propriedade concedida à rainha para a sua viuvez.
Origens Normandas (1119)
A história do castelo começou em 1119, quando Robert de Crevecoeur construiu uma fortaleza de pedra em duas ilhas no Rio Len. Em 1278, o castelo passou para a posse do Rei Eduardo I, conhecido como «Longshanks». Eduardo e a sua adorada esposa, Leonor de Castela, apaixonaram-se pelo local e transformaram a rude fortaleza num confortável palácio real, acrescentando o Gloriette — a torre residencial em forma de D que se ergue diretamente da água.
As Rainhas de Leeds
Após Leonor, o castelo tornou-se propriedade de várias rainhas:
- Margarida de França: Segunda esposa de Eduardo I, que sobreviveu ao marido e viveu aqui confortavelmente.
- Isabel de França: Conhecida como a «Loba de França», deteve o castelo até ser forçada a entregá-lo.
- Joana de Navarra: Madrasta de Henrique V, que foi brevemente aprisionada aqui por suspeita de bruxaria.
- Catarina de Valois: Viúva de Henrique V, que aqui iniciou o seu romance secreto com Owen Tudor — ligação que fundaria a Dinastia Tudor.
Henrique VIII e Catarina de Aragão
O proprietário real mais famoso foi Henrique VIII, que gastou vastas somas de dinheiro a ampliar e embelezar o castelo para a sua primeira esposa, Catarina de Aragão, transformando-o num palácio digno do Renascimento. Enquanto Catarina aqui ficava, a corte real desfrutava da caça no vasto parque de veados.
A Era Baillie: Glamour do Século XX
Embora a história medieval seja fascinante, o interior do castelo hoje é largamente definido pela sua última proprietária privada, a herdeira anglo-americana Lady Olive Baillie. Comprou o castelo em 1926 e, com a ajuda dos designers franceses Armand-Albert Rateau e Stephane Boudin, transformou-o numa das casas mais elegantes de Inglaterra.
Lady Baillie restaurou a estrutura medieval mas decorou o interior num luxuoso estilo Art Déco. Durante a década de 1930, o Castelo de Leeds tornou-se um playground da alta sociedade. A família Baillie acolhia festas de fim de semana para estadistas, realeza e estrelas de cinema, incluindo Charlie Chaplin, Errol Flynn e o Príncipe de Gales. O castelo tinha todas as comodidades modernas, incluindo uma máquina de ondas na piscina e um cinema. Durante a Segunda Guerra Mundial, o castelo foi utilizado como hospital. Lady Baillie deixou o castelo à Fundação Leeds Castle à sua morte em 1974, para ser preservado para o público.
Explorar o Castelo
A visita percorre séculos de história, desde salões de pedra medievais até toucadores dos anos 1930. O Salão de Banquetes de Henrique VIII é o maior aposento do castelo, com uma magnífica lareira e janelas de sacada sobre o fosso. O Quarto da Rainha recria como um quarto real poderia ter parecido no século XV. O Quarto de Lady Baillie é uma obra-prima do estilo «Hollywood Regency», com painéis Luís XVI pintados num azul único e uma exquisita casa de banho de mármore. A Sala de Estar Amarela, com mobiliário francês do século XVIII, era o ponto central do entretenimento de Lady Baillie.
Os Jardins e o Parque
A propriedade de 200 hectares é tão impressionante quanto o castelo. O Jardim Culpeper, no local do antigo jardim de cozinha, é hoje um quintessencial jardim inglês de campo — uma explosão de cores de rosas, lupinos e papoilas emoldurados por buxos. O Labirinto, construído com 2 400 teixos, conduz a uma saída subterrânea pela Gruta das Conchas, um túnel caprichoso decorado com conchas e mosaicos de bestas míticas — favorito das famílias.
Atrações Únicas
O Museu de Coleiras de Cão é a atração mais surpreendente do castelo — o único do género no mundo. A coleção abrange cinco séculos e inclui mais de 130 coleiras, desde as de ferro com picos usadas para proteger cães de caça de lobos no século XV até às de veludo e prata dos cãezinhos de colo do século XVIII. A Balsa do Cisne Negro oferece uma chegada grandiosa ao castelo, com vistas espetaculares sobre o lago. Os famosos cisnes negros do castelo (uma oferta de Winston Churchill) ainda patrulham o fosso. O Centro de Aves de Rapina realiza diariamente exibições de falcoaria com gaviões, falcões e corujas a voar livres contra o pano de fundo das muralhas.
Leeds como Palco Diplomático
Um dos capítulos menos conhecidos mas mais fascinantes da história moderna do Castelo de Leeds é o seu papel como palco de diplomacia internacional. Em 1978, o Secretário de Estado americano Cyrus Vance organizou nas suas salas as conversações que precederam os históricos Acordos de Camp David entre o Presidente do Egito Anwar Sadat e o Primeiro-Ministro israelita Menachem Begin. A atmosfera serena e discreta do castelo — longe das câmaras de televisão e das capitais sob pressão — foi deliberadamente escolhida para criar um ambiente propício ao diálogo. Não é a única vez que Leeds serviu de bastidor para negociações sensíveis: durante a Guerra Fria, a sua localização fora de Londres e a privacidade garantida pelos 200 hectares de parque tornaram-no num destino discreto para encontros entre chefes de estado e diplomatas. Esta dimensão invisível da história do castelo — os acordos feitos ao longo dos seus corredores históricos que moldaram o mapa político do mundo — é o outro lado, menos glamoroso mas igualmente poderoso, da herança de Lady Baillie.
Informações Práticas
O castelo está aberto durante todo o ano. O sistema de bilhete único permite entrada gratuita durante 12 meses — excelente relação qualidade-preço para quem planeia regressar. De carro, sai da autoestrada M20; de comboio, a estação mais próxima é Bearsted, com serviço de autocarro ao castelo no verão. Existem vários cafés e restaurantes na propriedade, e os 200 hectares são perfeitos para um piquenique. Cães são bem-vindos no parque com trela, mas não nos jardins formais.