O Berço da Dinastia Tudor
Erguendo-se sobre uma crista rochosa rodeada em três lados pelo Rio Pembroke, o Castelo de Pembroke é uma das fortalezas mais formidáveis do País de Gales. É um lugar de escala e poderio militar singulares, uma fortaleza normanda que dominou o oeste do País de Gales durante séculos. Mas a sua maior reivindicação à fama não são apenas as suas muralhas: é um único evento que ali ocorreu. Num frio dia de inverno de 1457, uma viúva de 13 anos chamada Margarida Beaufort deu à luz um filho numa das torres do castelo. Esse rapaz era Harri Tudur — mais conhecido pela história como o Rei Henrique VII, fundador da dinastia Tudor e pai do infame Henrique VIII.
Hoje, o Castelo de Pembroke é um monumento de Grau I e um dos maiores castelos de propriedade privada do País de Gales. Oferece uma fascinante mistura de arquitetura militar medieval, história real e até mistério pré-histórico, graças à vasta caverna que existe sob as suas fundações.
De Paliçada de Madeira a Fortaleza de Pedra
O primeiro castelo em Pembroke foi construído em 1093 por Arnulf de Montgomery, um barão normando. Era uma simples estrutura de «motte and bailey» feita de madeira e terra. Contudo, a fortaleza de pedra que vemos hoje é em grande parte obra de William Marshal, Conde de Pembroke.
William Marshal (c. 1146–1219) é frequentemente chamado «O Maior Cavaleiro». Serviu cinco reis ingleses, foi campeão de justa e era possivelmente o homem mais poderoso do reino a seguir ao monarca. Quando adquiriu Pembroke em 1189 por casamento, iniciou a transformação numa fortaleza de pedra de última geração. Construiu a Grande Torre e o recinto interior, utilizando a mais recente tecnologia militar que havia observado durante as suas viagens e cruzadas.
A Grande Torre: Uma Obra-Prima da Defesa
O ponto culminante do castelo de Marshal é a Grande Torre. Construída por volta de 1200, é uma maciça torre cilíndrica com mais de 23 metros de altura. Ao contrário das torres quadradas dos castelos normandos anteriores, uma torre redonda não tem cantos vulneráveis para os mineiros atacarem e oferece melhores ângulos de fogo. As paredes têm quase 6 metros de espessura na base. Mas o traço mais notável é o tecto: uma cúpula de pedra, uma formidável façanha arquitetónica para a época. Os visitantes podem hoje subir a escadaria em espiral até ao topo para uma vista deslumbrante sobre a cidade e a costa.
A Caverna do Wogan
Sob o castelo jaz um segredo que precede os normandos por milénios. Uma grande caverna de calcário natural, conhecida como o Wogan, abre diretamente para o rio. Tem sido utilizada pelos humanos desde a era paleolítica; ferramentas de sílex e ossos de mamutes foram aqui encontrados.
Durante a Idade Média, o Wogan foi incorporado nas defesas do castelo. Uma escadaria em espiral foi escavada na rocha para ligar a caverna ao castelo acima. Isto permitia que a guarnição fosse abastecida por barco a partir do rio, mesmo quando o castelo estava sitiado por terra. Era uma tábua de salvação vital que tornava Pembroke quase impossível de vencer por fome.
A Ligação Tudor
As Guerras das Rosas viram o castelo mudar de mãos várias vezes entre Yorkistas e Lancasterinos. Foi durante este período turbulento que Jasper Tudor, Conde de Pembroke e meio-irmão do Rei Henrique VI, trouxe a sua cunhada, Margarida Beaufort, para a segurança do castelo. Ela tinha apenas 13 anos e estava grávida.
Henrique VII nasceu na Torre de Henrique VII. É um cenário humilde para o nascimento de uma dinastia que mudaria Inglaterra para sempre. Henrique passou a sua infância em Pembroke antes de ser forçado ao exílio na Bretanha. Não regressaria até 1485, quando desembarcou na próxima baía de Mill Bay, marchou para Bosworth Field e reclamou a coroa — pondo fim à Guerra das Rosas e inaugurando a era Tudor.
A Guerra Civil e a Ruína
A carreira militar do Castelo de Pembroke terminou no século XVII durante a Guerra Civil Inglesa. Inicialmente, a cidade e o castelo declararam-se a favor do Parlamento. Contudo, em 1648, o comandante da guarnição, John Poyer, mudou de lado para os Realistas por não ter sido pago. Isso deu origem à Segunda Guerra Civil. O próprio Oliver Cromwell veio sitiar Pembroke. O cerco durou sete semanas, só terminando quando a artilharia de Cromwell conseguiu destruir o aqueduto, cortando o abastecimento de água. Após a rendição, Cromwell ordenou que o castelo fosse «slighted» (demolido parcialmente). As torres do barbacã foram destruídas com explosivos e as muralhas frontais foram demolidas. O castelo ficou em ruínas até ao século XX.
Restauração e a Família Philipps
Em 1928, as ruínas foram compradas pelo Major-General Sir Ivor Philipps, que iniciou um projeto de restauro massivo. A sua família ainda é proprietária e gere o castelo hoje, mantendo-o como uma importante atração turística. A história do castelo é assim tanto uma história de destruição como uma história de preservação — de como o amor pelo passado pode vencer séculos de neglicência e deliberada demolição.
Lendas e Atividades
Como qualquer bom castelo galês, Pembroke tem os seus fantasmas. A lenda mais pungente é a da «Dama Branca», que se diz ser uma mulher que se atirou das janelas do Salão Norte após ver o seu amante morto num duelo. No pátio do castelo encontra-se o maior mapa do País de Gales do mundo, pintado no chão e assinalando a localização de todos os principais castelos e catedrais do país — perfeito para as crianças que planeiam futuras aventuras. Em dias selecionados, realizam-se exibições de falcoaria nos terrenos, com aves de rapina a voar contra o pano de fundo das muralhas normandas.
Informações Práticas
Pembroke está localizado no Pembrokeshire, no sudoeste do País de Gales. O castelo domina a rua principal da cidade. As torres contêm excelentes exposições que explicam a história: modelos em tamanho real de soldados medievais, a recriação do nascimento de Henrique VII e uma exposição sobre o cerco da Guerra Civil. O Castelo de Pembroke é um lugar de começos e fins — assistiu ao nascimento da dinastia Tudor e ao fim da guerra civil no País de Gales. A caminhar pelas suas muralhas, com o vento a soprar do Mar da Irlanda, sente-se o peso da história em cada pedra.