O Versalhes Esquecido do Leste
Emergindo das colinas ondulantes da região de Lviv, no oeste da Ucrânia, o Castelo de Pidhirtsi (por vezes grafado Podhorce) é um monumento assombroso e belo a uma era de grandiosidade há muito desaparecida. Outrora aclamado como um dos mais belos complexos palacianos da Europa Oriental, rivalizando com as grandes cortes de França e Itália, é uma estrutura que desafia a categorização fácil. É um «palazzo in fortezza» — um luxuoso palácio renascentista envolto na carapaça protetora de um baluarte militar. Durante séculos, foi símbolo da riqueza e do poder da Comunidade Polaco-Lituana. Hoje, mesmo no seu estado semi-arruinado, retém uma aura majestosa, atraindo visitantes com as suas linhas elegantes, a sua história trágica e a sua reputação como um dos locais mais assombrados da Ucrânia.
História: Esplendor e Ruína
O castelo foi encomendado em 1635 por Stanisław Koniecpolski, o Grande Hetman da Coroa e um dos mais bem-sucedidos comandantes militares da sua época. Queria uma residência que servisse de lugar de descanso e lazer, em contraste com a vida rude dos campos de batalha. Contratou o arquiteto italiano Andrea dell'Aqua para projetar o palácio e o engenheiro militar francês Guillaume Le Vasseur de Beauplan para projetar as fortificações.
Durante mais de um século, Pidhirtsi foi o centro da alta sociedade. Reis como Władysław IV Vasa e João III Sobieski visitaram o castelo, famoso pelos seus festins, fogos de artifício e extensa coleção de arte. No século XVIII, sob a família Rzewuski, atingiu o seu apogeu. Wacław Rzewuski, um nobre excêntrico, acrescentou um teatro, uma tipografia e até um laboratório para as suas experiências alquímicas. A coleção do castelo incluía centenas de pinturas (algumas de Ticiano e Rafael), armas e armaduras.
Contudo, o século XX trouxe uma série de catástrofes. Durante a Primeira Guerra Mundial, o castelo ficou na linha da frente e foi saqueado por tropas russas. Na Guerra Polaco-Soviética, sofreu novos danos. A Segunda Guerra Mundial trouxe mais saques, mas o golpe final veio sob o domínio soviético: o castelo foi convertido num sanatório para tuberculosos, uma função que ignorou completamente o seu valor histórico. Em 1956, um incêndio devastador destruiu os interiores e destruiu os trabalhos de madeira, afrescos e tectos restantes. Só em 1997 a Galeria de Arte de Lviv assumiu o local, iniciando um longo e difícil processo de restauro.
Arquitetura: Um Palácio em Armadura
O génio arquitetónico de Pidhirtsi reside na sua dualidade. Do norte, parece uma fortaleza defensável com um fosso profundo e altos bastiões de tijolo. Do sul, apresenta a fachada de um elegante palácio de três andares com lógicas abertas e um terraço. Esta combinação de força e elegância é raríssima na arquitetura europeia e faz de Pidhirtsi um objeto de estudo fascinante para arquitetos e historiadores.
O Sistema de Bastiões
O castelo está rodeado por um sistema pentagonal de bastiões. Estas não eram meramente decorativas; eram defesas funcionais equipadas com canhões que protegiam a residência das incursões Tártaras e das revoltas Cossacas. A alvenaria das muralhas é maciça, contrastando vivamente com o delicado rustificado e as pilastras da fachada do palácio.
Interiores Perdidos
Embora os interiores tenham sido devastados, os registos históricos descrevem-nos com espanto. Havia uma «Câmara Carmim», um «Gabinete Chinês» e um «Salão Dourado», cada um decorado com tapeçarias e mobiliário temáticos. O «Salão dos Cavaleiros» exibia tendas e armas turcas capturadas em batalha. Hoje, as equipas de restauro utilizam antigas fotografias para recriar meticulosamente alguns destes elementos, mas grande parte do esplendor original sobrevive apenas na memória e nos arquivos.
O Parque Italiano
A norte do castelo estende-se o «Parque Italiano», outrora o jardim mais belo da Comunidade. Disposto em três terraços, apresentava fontes, parterres e esculturas. Embora grande parte esteja hoje coberta de vegetação, a estrutura em terraços permanece visível, e esforços recentes visam limpar a vegetação e restaurar as linhas geométricas do design original do século XVII. Em frente ao castelo ergue-se a Igreja de São José, uma magnífica rotunda barroca do século XVIII que, com a sua colunata e cúpula, acrescenta um contraponto sagrado à grandiosidade secular do palácio.
Lendas: A Dama Branca e o Alquimista
Pidhirtsi é amplamente considerado um dos castelos mais assombrados da Ucrânia, uma reputação que atraiu até programas americanos de investigação paranormal. A lenda mais persistente é a da «Dama Branca». Segundo a história, um dos proprietários do castelo, Seweryn Rzewuski, era um homem ciumento e cruel. Suspeitando da infidelidade da sua jovem esposa, mandou-a emuredar viva nas caves do castelo. Desde então, uma figura espectral de vestido branco tem sido vista a vaguear pelos corredores e pelo parque, a chorar silenciosamente. Visitantes e guardas relatam quedas súbitas de temperatura, sombras misteriosas e a sensação de ser observado.
Outra camada de mistério vem de Wacław Rzewuski, o alquimista. Diz-se que no seu laboratório secreto procurou a Pedra Filosofal e o Elixir da Vida. Os locais sussurram que se viam luzes estranhas nas janelas do castelo tarde da noite, e que algumas das suas experiências podem ter aberto portas que deveriam ter permanecido fechadas. Alguns afirmam mesmo que o incêndio de 1956 não foi um acidente, mas o resultado retardado de uma maldição lançada sobre o castelo séculos antes.
Um Símbolo de Resiliência Ucraniana
Em tempos de conflito, os monumentos culturais tornam-se mais do que pedra: tornam-se âncoras de identidade nacional. Para a Ucrânia, Pidhirtsi representa exactamente isso. Apesar de ter pertencido durante séculos a famílias polacas, e apesar de ter sido construído por um arquiteto italiano e um engenheiro francês, o castelo é hoje parte do tecido cultural e histórico da região de Lviv e da Ucrânia como um todo. O esforço de restauro que prossegue lentamente desde 1997 é, em si mesmo, um ato político e cultural — a afirmação de que o passado importa, que a beleza deve ser preservada e que uma nação que cuida dos seus monumentos cuida também de si própria. Voluntários têm ajudado nas escavações arqueológicas; artistas têm documentado as ruínas em aguarelas e fotografias; historiadores publicam estudos sobre as coleções perdidas. Cada pedra reconstituída é um voto de confiança no futuro, uma promessa de que o «Versalhes Polaco» das planícies ucranianas não será deixado morrer em silêncio.
Informações Práticas
O Castelo de Pidhirtsi é uma paragem fundamental na «Ferradura de Ouro de Lviv», uma popular rota turística que inclui também o Castelo de Olesko e o Castelo de Zolochiv — uma excelente excursão de um dia a partir de Lviv. O castelo fica a cerca de 80 km a leste de Lviv (cerca de 1h30 de carro). O recinto do castelo está aberto diariamente, normalmente das 10h00 às 17h00. Embora os interiores estejam em grande parte vazios e ainda em restauro, os visitantes podem entrar no pátio, percorrer as muralhas dos bastiões e visitar as salas de exposição com fotografias da antiga glória do castelo. A Igreja de São José, mesmo em frente, merece igualmente uma visita pela sua impressionante fachada barroca.