← Voltar aos Castelos
Castelo de Stirling

Castelo de Stirling

📍 Stirling, Escócia 📅 Construído em 1110

A Chave do Reino

O Castelo de Stirling é indiscutivelmente o imóvel estrategicamente mais importante da história escocesa. Os estrategas há muito dizem: «Quem detém Stirling, detém a Escócia.» Situado de forma invencível no topo de um penhasco vulcânico de 75 metros (Colina do Castelo), bloqueia a única rota viável entre as Terras Baixas e as Terras Altas. Para marchar um exército para norte ou para sul, era obrigatório passar por Stirling.

Por isso, viu mais guerra do que quase qualquer outro lugar da Grã-Bretanha. Foi sitiado 26 vezes — mais do que o Castelo de Edimburgo. Foi o prémio disputado por William Wallace e Robert the Bruce. Mas não era apenas uma fortaleza; era um lar. Foi o santuário de infância de Maria, Rainha dos Escoceses e a residência favorita dos Reis Stuart, que o transformaram de um sombrio posto militar numa extravagante residência renascentista repleta de arte, cor e música.

O Brutal Assassínio do Conde de Douglas

Em 1452, o Castelo de Stirling testemunhou uma das mais chocantes violações da hospitalidade na história medieval: um rei a assassinar um convidado com as suas próprias mãos. O Rei Jaime II sentia-se ameaçado pelo crescente poder dos Douglases Negros, uma família nobre que rivalizava com a Coroa. Convidou o 8.º Conde de Douglas, William, para Stirling para jantar e negociar. Para o convencer a vir, o Rei emitiu um salvo-conduto assinado, garantindo a sua segurança.

Jantaram numa pequena câmara hoje conhecida como o Quarto de Douglas. Após a refeição, o Rei exigiu que Douglas rompesse a sua aliança com outros lordes rebeldes. Douglas recusou. Num acesso de fúria explosiva, o Rei gritou: «Se não queres romper o pacto, este o romperá!» e cravou a sua adaga no pescoço do Conde. Os cortesãos do Rei invadiram então a câmara, esfaqueando o Conde 26 vezes antes de agarrarem o seu corpo sangrento e o atirarem pela janela para o jardim abaixo. Hoje, os visitantes podem ficar no Quarto de Douglas e olhar pela janela exata onde o Conde encontrou o seu fim. Em 1797, trabalhadores a escavar no jardim abaixo encontraram um esqueleto humano, acreditando-se ser o infeliz Conde.

A Batalha de Bannockburn

A vista das ameias do castelo é mais do que apenas pitoresca; é um mapa tático da independência escocesa. Olhando para sul, pode ver-se claramente o campo de Bannockburn. Em 1314, o Rei Robert the Bruce enfrentou aqui o enorme exército do Rei Eduardo II de Inglaterra. Apesar de estar em menor número na proporção de três para um, Bruce usou o terreno para aprisionar a cavalaria inglesa no terreno pantanoso do Bannock Burn. Diz-se que a esposa de Eduardo II observou das muralhas do castelo enquanto o exército do seu marido era chacinado na lama. A vitória garantiu a independência da Escócia durante séculos. Nas proximidades, pode também ver-se o Monumento Nacional a Wallace, que comemora a vitória de William Wallace na Batalha de Stirling Bridge em 1297.

As Cabeças de Stirling: As Joias da Coroa da Escócia

Uma das características mais únicas de Stirling é o teto da Câmara Interior do Rei. É adornado com enormes medalhões de carvalho pintados com cores vivas, conhecidos como as Cabeças de Stirling. Estas são tão valiosas quanto as Joias da Coroa. Esculpidas por volta de 1540 para o Rei Jaime V, estes retratos com um metro de largura representam uma mistura de figuras reais e mitológicas: Imperadores Romanos, Hércules, Reis, Rainhas e até bobos da corte. Foram concebidas para enviar uma mensagem a poderosos visitantes estrangeiros: o Rei Escocês era um homem de cultura, saber renascentista e poder europeu. As cabeças no teto hoje são réplicas meticulosamente esculpidas à mão (as cores foram determinadas por análise microscópica dos originais), enquanto os originais do século XVI são exibidos na galeria especial no andar superior.

A Grande Sala

A Grande Sala, construída por Jaime IV por volta de 1503, é a maior sala de banquetes medieval da Escócia. Durante séculos, foi desrespeitada — usada como quartel militar, dividida em pisos e pintada de cinzento. Mas um massivo projeto de restauro de 12 milhões de libras devolveu-lhe o esplendor dos anos 1500. A característica mais marcante é a cor. O exterior é revestido com o «Ouro do Rei», um rico reboco de cal amarelo que brilharia ao sol, visível a quilómetros de distância. No interior, o teto de vigas em consola (uma obra-prima de carpintaria sem um único prego) foi restaurado. É aquecido por cinco enormes lareiras, que eram necessárias para assar bois inteiros durante os festins desregrados da corte Stuart.

As Tapeçarias dos Unicórnios

Na Câmara Interior da Rainha (o aposento privado de Maria de Guise), as paredes estão forradas com as tapeçarias da Caça ao Unicórnio. São uma maravilha do artesanato moderno — recriações tecidas à mão de um famoso conjunto de tapeçarias medievais atualmente no museu The Cloisters em Nova Iorque. Uma equipa de tecelões trabalhou no Castelo de Stirling durante 13 anos (de 2001 a 2015) para as criar, verificando cada detalhe, desde as plantas de tintura à densidade do tecido. O resultado é uma explosão de cor e simbolismo que desfaz o mito de que os castelos medievais eram sombrios e cinzentos.

A Capela Real

Este elegante edifício foi construído às pressas. O Rei Jaime VI queria um espaço adequado para o batismo do seu filho, o Príncipe Henrique, em 1594. Mandou demolir a antiga capela e construir esta nova obra-prima italianizada em apenas sete meses. Foi uma das primeiras igrejas protestantes construídas na Escócia. O interior é decorado com um delicado friso pintado por Valentine Jenkin em 1628. Ergueu-se no local onde Maria, Rainha dos Escoceses, foi coroada em 1543. Ela tinha apenas nove meses de idade e chorou ruidosamente durante toda a cerimónia — um trágico presságio da vida difícil que a aguardava.

Dicas para Visitantes

Não se limite a vaguear pelo castelo — junte-se a uma das visitas guiadas (incluídas no preço do bilhete) que partem de 30 em 30 minutos. Os guias são narradores excecionais que dão vida à sombria história com humor e vivacidade. O castelo fica no topo da cidade, pelo que a subida desde a estação de comboios é íngreme e empedrada. O castelo alberga também o museu dos Argyll and Sutherland Highlanders, com a famosa «Linha Vermelha Fina» de Balaclava. O café tem um terraço com terraço com vistas sobre a paisagem escocesa, sendo o lugar perfeito para um café após a subida.