← Voltar aos Castelos
Castelo de Dunnottar

Castelo de Dunnottar

📍 Stonehaven, Escócia 📅 Construído em Século XIV (ruínas)

A Fortaleza na Rocha

Poucos castelos no mundo têm um cenário tão dramático quanto o Castelo de Dunnottar. Erguido num rochedo de conglomerado com 50 metros de altura que se projeta para o Mar do Norte, está rodeado por falésias verticais em três lados. Liga-se ao continente apenas por um caminho estreito e sinuoso e uma escadaria íngreme. Durante séculos, esta defesa natural tornou-o uma fortaleza impenetrável, controlando as rotas do comércio costeiro no norte da Escócia. A geologia em si é fascinante: o rochedo é «Arenito Vermelho Velho», frequentemente chamado «pedra de pudim» porque parece um pudim repleto de passas (os grandes seixos incrustados na pedra). Esta formação única é incrivelmente dura e resistente à erosão, criando o pedestal natural perfeito para uma fortaleza.

William Wallace e a Guarnição Inglesa

Dunnottar desempenhou um papel brutal nas Guerras da Independência Escocesa. Em 1297, o lendário William Wallace capturou o castelo dos ingleses. De acordo com o poeta Blind Harry, a guarnição inglesa fugiu para a igreja de pedra em busca de asilo. Wallace, sem mostrar misericórdia, trancou as portas e incendiou a igreja, matando todos no interior. Ainda se podem ver hoje as ruínas calcinadas da chapel — um lembrete solene da violência da Idade Média.

Os Condes Marechal e o Covil do Leão

Durante séculos, Dunnottar foi a sede da poderosa família Keith, os Condes Marechal da Escócia. Eram uma das famílias mais ricas do país, e apesar da localização agreste, viviam com luxo. O Alojamento do Conde, construído no século XVI, continha um grande salão, aposentos privados e até uma galeria.

Uma das características mais interessantes é um conjunto de salas conhecido como o Covil do Leão. O nome vem do facto de os Condes Marechal terem mantido aqui um leão de estimação. O rugido do leão teria ecoado pelas falésias, um símbolo potente do poder e do estatuto da família. Os visitantes podem ainda explorar os restos destes outrora grandiosos apartamentos, imaginando as tapeçarias e o mobiliário fino que outrora preencheram estas frias cascas de pedra.

Salvar as Insígnias da Escócia

O melhor momento de Dunnottar chegou a meados do século XVII. Após a execução do Rei Carlos I, o exército inglês de Oliver Cromwell invadiu a Escócia. As Insígnias da Escócia (a Coroa, o Cetro e a Espada do Estado) foram transferidas para Dunnottar para serem guardadas, por ser considerada a fortaleza mais forte do reino.

As tropas de Cromwell sitiaram o castelo durante oito meses em 1651–1652. Com as provisões a escassear e os canhões pesados a bater as muralhas, a queda era inevitável. A destruição das Insígnias parecia certa — Cromwell via-as como símbolos da tirania monárquica e tê-las-ia fundido. Porém, um plano audacioso foi traçado. Dependendo da versão da história, as joias foram contrabandeadas sob as saias de uma mulher local, Christian Fletcher, ou descidas pelas falésias verticais numa cesta para uma criada que colhia algas em baixo. Foram depois enterradas sob o chão da próxima Igreja Velha de Kinneff, onde permaneceram escondidas durante nove anos até que a monarquia foi restaurada — um dos resgates mais extraordinários da história europeia.

A Abóbada dos Whigs: Um Capítulo Sombrio

Nem toda a história de Dunnottar é heroica. Em 1685, durante um período de perseguição religiosa, 167 Covenanters (Presbiterianos que se recusaram a aceitar o controlo do Rei sobre a Igreja) foram marchados para o castelo. Foram aprisionados numa cave hoje conhecida como a Abóbada dos Whigs. As condições eram horríveis: homens e mulheres comprimidos numa única sala sem ventilação nem saneamento, atolados na lama. Muitos morreram de fome e doença; outros foram torturados por tentarem escapar (alguns caíram para a morte nas falésias abaixo). Uma pedra memorial no adro da igreja de Stonehaven comemora os que pereceram, e a própria abóbada permanece um lugar arrepiante, diz-se assombrado pelos espíritos inquietos dos prisioneiros.

Ruína e Preservação

O declínio do castelo começou após o Levante Jacobita de 1715. O 10.º Conde Marechal apoiou a causa Stuart e, após o fracasso do levante, foi forçado ao exílio. Os seus títulos e propriedades foram confiscados pela Coroa. Em 1720, o castelo foi vendido e espoliado de tudo o que tinha valor — telhados de chumbo, pavimentos e mobiliário — sendo deixado como uma casca vazia. Permaneceu neste estado até 1925, quando as ruínas foram compradas pelo Visconde Cowdray. A família Cowdray embarcou num enorme projeto de preservação, assegurando as muralhas e limpando os escombros, salvando este tesouro nacional de cair no mar.

A Vida Doméstica no Castelo

Embora a história militar domine a narrativa, Dunnottar foi também um lar movimentado. Os visitantes podem explorar os restos da Cervejaria e da Padaria, essenciais para a sobrevivência dos habitantes do castelo. Na Idade Média, a cerveja era mais segura de beber do que a água, pelo que a cervejaria estava em funcionamento constante. Os enormes fornos na padaria sugerem o enorme volume de pão necessário para alimentar a família do Conde, os soldados e os criados. Estas ruínas domésticas oferecem um contraponto comovente às grandiosas defesas militares, lembrando-nos de que pessoas comuns viveram, trabalharam e morreram aqui durante séculos, numa vida de rotinas tão previsíveis quanto o ritmo das marés que batiam nas rochas lá em baixo. A combinação do quotidiano com o épico — cerveja e batalhas, pão e política — é o que torna Dunnottar uma experiência tão rica e multifacetada.

Informações Práticas

  • A Caminhada: A partir do parque de estacionamento, é uma caminhada curta mas cénica até à borda da falésia. Prepare-se para muitos degraus — tem de descer a falésia até à casa dos portões e depois subir de volta para o castelo.
  • Stonehaven: A cidade próxima é um encantador porto piscatório. Uma popular caminhada costeira de 40 minutos liga o porto da cidade ao castelo, com vistas espetaculares das falésias e aves marinhas (procure papagaios-do-mar, gaivotas-tridáctilas e fulmares no início do verão).
  • Cultura Pop: A silhueta assombrosa do castelo foi a inspiração principal para o castelo da família DunBroch no filme Disney-Pixar Valente (2012). Serviu também como cenário para a adaptação de 1990 de Hamlet por Franco Zeffirelli.
  • Tempo: O castelo está completamente exposto aos elementos do Mar do Norte. Pode ser ventoso e frio mesmo no verão, pelo que se recomenda calçado resistente e roupa adequada.